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Comprei. Iniciei, de imediato, a sua leitura, pois gosto de conhecer e colecionar o que se vai publicando, sobre a vivencia estudantil, na Coimbra de outros tempos e na atual. Salatina (1936), E.C.I. Brotero (1947-1951), FCUC (1956-1961) motiva este meu interesse.
De momento, pag.72, estou pasmado, relendo o seguinte:

“Igualmente digno de registo é a popularidade de alguns nomes ligados ao imaginário académico, embora não estudantes, que povoaram a cidade em épocas distintas, e o papel que desempenharam no universo das representações intelectuais e estudantis.
Personagens como o Agostinho Antunes, o Pantaleão, o Pad Zé, o Castelão de Almeida, entre outros, fazem parte da história da academia de Coimbra, sendo de certo modo apropriados por essa espécie de "academia paralela" que animava os ambientes boémios e contestatários de Coimbra do passado (Duarte, 2 000 )*.
Algumas dessas figuras, supõe-se que depois de convenientemente domesticadas, e uma vez garantido o seu lugar subalterno na comunidade, sendo alimentadas e até merecedoras de vestimenta própria (o traje académico), tornaram-se ícones de uma cultura onde a irreverência e o excesso eram condimentados com a atitude paternal em relação a esses (dóceis) animadores da algazarra estudantil. É o caso do Taxeira (cujo verdadeiro nome é Raul dos Reis Carvalheira).

Se a figura do "bobo da corte" pode parecer excessiva, é, no entanto, concebível que no ambiente coimbrão de outros tempos este tipo de figuras tenha exercido uma função semelhante.
* A taberna e a boémia coimbrã – Práticas de lazer dos estudantes de Coimbra. Coimbra: FEUC (diss. de licenciatura). Duarte, Madalena (2000),
* Coimbra: Jovens, estudantes e ‘repúblicos’: Culturas estudantis e crise do associativismo em Coimbra* Elísio Estanque
Estarei a interpretar bem?....
Pantaleão, Pad-Zé, Castelão de Almeida terão pertencido a uma “academia paralela”? Não estudantes? Futricas? Bobos da corte? Não.
Foram alunos da Universidade de Coimbra, matriculados nas respetivas Faculdades, Bacharelados/Licenciados. Constam dos respetivos Anuários da U.C., com as notas de frequência e finais (bacharel/licenciatura). Pertenceram à academia, à briosa.
Boémios, sim, na definição e costumes das suas épocas de estudantes. Tal, como, o Padre António Duarte Ferrão (1740-1746), João de Deus (1849-1859), João Penha (1866-1873), Guerra Junqueiro (1873), Pássaro (1878), Chico Vale, Tomás Barateiro, 1925, Felisberto Pica, Barrigas de Carvalho, como muitos outros. Vd. A Academia de Coimbra-Alberto de Sousa Lamy-1990
Outros, mais ou menos boémios -se há grau/qualidade -, depois figuras mais/menos ou nada ”Chico Gordo”, o Rui Cunha Faria, o Vicente Pindela, Serrão de Faria, o “Pai Mendonça”, o Padre Pinguinhas, o “Pindérico”, o António Faro, etc.). Outros, também, se salientaram como cidadãos, nas invasões francesas, nas lutas liberais, geração 70, nas lutas académicas/greves (1907), em 1914/18 etc., etc.
Os citados no livro figuram pela negativa? Má boémia? Como se define.
-Pad-Zé, (Dr. Alberto Costa) foi uma das figuras centrais na organização e conteúdo do “Centenário da Sebenta”, na companhia de D. Thomaz de Noronha, Luís de Albuquerque, Afonso Lopes Vieira. Acontecimento elogiado pelas autoridades universitárias, eclesiásticas e civis de Coimbra da época. Mereceu ser incluído no convite para a refeição de congratulações, pelas autoridades.
Depois, bacharel, teve um percurso, como jornalista e figura no período politico, controverso
e conturbado, antes da implantação da República.
Teve nome em rua da Velha Alta (onde se litografou a primeira sebenta)e, ainda hoje, figura na toponímia do Fundão. Vd. Pad-Zé. O Cavaleiro da Utopia -J. Mendes Rosa-2000
- O curso do Pantaleão lançou a venda/peditório das Pastas, com a companhia das meninas do Asilo Elysio de Moura, percorrendo a cidade, revertendo a receita para aquela instituição, o que muito sensibilizou os bem feitores e cidadãos de Coimbra.
Também, introduziu a “praxe” da cartola e da bengala, que se mantém na atualidade.
Depois, licenciado em medicina com 14 valores, o Dr. Henrique Mota foi o “João Semana” da sua região, ainda lembrado, colaborando na causa pública e no ensino. Há quem possa testemunhar a sua conduta, filantrópica e amiga.
-Castelão de Almeida, com o Pantaleão, iniciaram a publicação do Jornal o Poney – “acérrimo defensor dos interesses da Academia de Coimbra “(Carminé Nobre), onde se podem revisitar, com piada/crítica, acontecimentos da época.
A República Ribatejana, onde viveram Agostinho Antunes, Henrique Mota (Pantaleão) e Castelão de Almeida, foi palco privilegiado de homenagem a figuras nacionais e estrangeiras, de visita à Universidade (António Ferro, Fernanda de Castro, Humberto Cruz, Carlos Bleck e outras.
O Dr. Castelão de Almeida, licenciado em Direito, destacou-se na sua região-Alpiarça, onde é lembrada a sua conduta profissional - ação, na defesa profícua, longa e difícil, numa causa em favor de pequenos lavradores e que ganhou, contra os latifundiários da lezíria. Tem, por isso, nome de rua e placa evocativa. Vd. Jornal Alpiercense, 05-01-2013.
-O Dr. Agostinho Antunes “conceituado boémio” foi, depois, “abalizado clinico”, em Lagares da Beira, com o seu nome no Largo evocativo.

Quanto ao Teixeira que conheci deve incluir-se na ampla listagem de Typos de Coimbra -Mário Monteiro-1908, com outros, posteriormente históricos, como o Ricardo Caganeta, o Dim-dim Bolinhas (acarinhado na República Ribatejana), o Papagaio Vai Alto, o Capitão, o Formiga, do meu tempo de miúdo Salatina, na Alta.
E vamos continuar a leitura. O tema interessa e fico mais rico com mais uma opinião, fundamentada, baseada em observações e inquéritos no local (U.Coimbra).