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Muitas das críticas que tenho lido e até ouvido, respeitam não à questão de disparidade entre rendimentos declarados e património (indiciando eventuais fugas), mas sim ao montante proposto de 50.000 euros. Um casal adulto com 50 ou 60 anos, que tenha tido sempre uma profissão medianamente remunerada e que siga o princípio de pôr algum dinheiro de lado para uma eventualidade, ainda que apenas tenha capitalizado o equivalente a uns 200 euros por mês, já terá ultrapassado e muito esse montante.
Não temos (mal) tradição de transparência, mas começar por lançar regras que vão certamente atingir centenas de milhar de pessoas que nunca fugiram ao fisco e que se limitaram a viver dentro das suas possibilidades, pode levá-las a perguntar: afinal tantos banqueiros, políticos e outros que tais por aí a roubar milhões e somos nós que passamos agora a suspeitos?! Porque não começam por prender e expropriar os que andam por aí à solta?!
Um bom princípio e um bom caminho seria começar por cruzar internamente dados que o fisco já possui (sobre imóveis, viaturas, participações societárias, etc), com as declarações de rendimentos. Será pelo menos estranho que quem possui dois apartamentos, uma moradia de férias e mais dois carros topo de gama, declare e pague IRS sobre 20 ou 30 mil euros anuais. Nesses casos e apenas nesses, a AT deveria pedir justificações ao contribuinte.
Só os honestos têm a poupança de uma vida numa caderneta bancária, que aparentemente lhes dá tranquilidade (ou a ilusão) de que lhes pode valer numa doença ou no desemprego de um filho.