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Boa tarde,

Chamo-me Susana Oliveira e tenho 40 anos. Há seis anos, através de procedimento concursal , mudei de organismo público. Logo aí começaram os problemas: um colega, mais e velho e pouco satisfeito com a sua própria carreira e uma chefia ausente.
Mais tarde, em novembro de 2012, a direção do serviço sofre alteração e eu acreditei, sinceramente, que as coisas iriam mudar, para melhor. Em fevereiro de 2013 fico de atestado médico, depois licença de maternidade e apenas regresso ao serviço em setembro do mesmo ano. É, precisamente, neste regresso que sou mal recebida, convidada a saír para um posto de atendimento, onde as funções desempenhadas são completamente diferente e, quando peço esclarecimentos à chefia intermédia da causa desta atitude, é-me dito que tal se deve a questões de influência política, por parte do colega mais velho, junto da direção.
Não aceito a solução que me é proposta e, além dos processos que deixei em fevereiro de 2013 (parados durante 7 meses, como forma de castigo), são encaminhados para mim outros processos da mesma área, mas de outro colega. Também a secretária que ocupava me é tirada.
Sistematicamente, durante 13 meses, ouvi piadas a propósito do furto de uma carteira, mas só em outubro de 2014 é que a chefia concretiza a acusação. Aí percebi que se tratava do suposto furto de uma carteira, ocorrido no meu anterior serviço e cuja informação é trazida por um colega, que diariamente fazia a deslocação comigo entre casa o serviço.
Falei com a chefia do meu anterior serviço, que logo se prontificou para esclarecer o assunto, mas tal não foi pedido pela chefia da altura, que apenas se limitou a espalhar o boato de que eu teria sido expulsa do serviço, pelo furto da carteira de uma colega e por colocar falsos atestados.
Como não aceitei a postura da minha chefia, passei a ser controlada, ameaçada física e verbalmente, a ouvir gritos, deixaram de me distribuir trabalho, investigaram a minha vida fiscal, percebi que o meu computador era monitorizado, passei a ouvir relatadas as minhas conversas pessoais telefónicas através de outros colegas, percebendo que o meu telemóvel tinha um software de vigilância, foi instalada uma câmara no meu gabinete, etc.
O limite foi quando percebi que tinham mexido na minha carteira e, francamente, aí já não tinha qualquer tipo de condição para estar a trabalhar, quer do ponto de vista físico como psicológico.
Fui à polícia judiciária, onde fui dissuadida a apresentar queixa, bem como a jurista do sindicato, que nada fez.
Vim para casa (em março de 2015), por motivo de atestado médico, por depressão major. Estava esgotada, tinha dores físicas, estava extremamente ansiosa, tinha graves insónias e estava acompanhada por psiquiatria.
Em setembro de 2015 recebo um novo diagnóstico, cancro da mama inflamatório. Votei a receber uma chamada, já no IPO, por parte da colega que normalmente me ligava, quando era necessário transmitir as ameaças por parte da chefia. Desliguei a chamada. Já não aceitei mais qualquer tipo de ameaça.
Fiz quimioterapia, uma mastectomia, radioterapia e anticorpos.
Hoje sou uma pessoa diferente. Percebi, através da minha médica psiquiatra do IPO, que terei sofrido um surto psicótico, terei estado num processo de esquizofrenia e, efetivamente, eu sentia que vivia numa "realidade paralela". Perdia a confiança nos meus colegas de trabalho e, apesar da chefia ter sofrido nova alteração, eu já não sou a mesma pessoa, já não confio nas pessoas, embora acreditar de esta ser uma pessoa diferente, até porque a anterior era composta por um psicopata e uma pessoa que apenas se queria aguentar na chefia intermédia, a qualquer custo.
Sei que não poderei provar o que se passou no serviço, até porque nenhum colega me defendeu nem testemunharia a meu favor.
Apenas quero aprender a viver com o trauma que fica depois da experiência, mas também perceber o que posso fazer para mudar esta realidade.
Atualmente, o meu anterior diretor acede ao meu computador pessoal, sou vítima de cyberbulling por parte do mesmo, mas, no entanto, diz-se meu "amigo", que me terá ajudado e que está na disposição de me "ajudar".
Como é óbvio, tal é uma redonda mentira, primeiro porque não só não me ajudou, como foi o responsável pelo plano maquiavélico de que fui vítima, depois porque não assumiu, nem assume, o que se passou esperando que eu assuma uma responsabilidade que não é minha. Eu fui massacrada, levada ao extremo e ao limite das minhas forças.
Gostaria de ter conhecimento em que posição está o projeto-lei que foi noticiado sobre esta matéria.

Com os melhores cumprimentos,

Susana Oliveira