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É certo o que diz Catarina Martins, como justa é a iniciativa parlamentar relativa ao IMI. Mas a questão de fundo permanece: os que 'tudo têm' e 'nada pagam' passam por isso como o vento pelos pingos da chuva. O 'sigilo' nos Off-Shores mantém-se, os Fundos Imobiliários impedem o controlo de situações aberrantes relativas ao Património, para não falar pelos que optaram pelo Património Virtual da Especulação Bolsista na vez do Cimento. 'Que fazer?'... Julgo que a resposta já foi dada há 100 anos por um senhor que fez a mesma pergunta: o Capitalismo não é reformável como modelo de não-exploração intensiva do trabalho. Na primeira oportunidade, mesmo Keynes foi deitado borda fora. Esta é a questão substantiva. O mais, por mais justo e louvável que seja, se perder de vista o fim e achar que 'o movimento é tudo' (à maneira de Bernstein), de facto pode ser a 'salvação' de um modelo neofascista mundial, mas ao que não dará origem, de certeza absoluta, é a um modelo social e económico que esbata a obscenidade das diferenças e sequer não retroceda no primeiro instante: os desníveis sociais hoje - dizem-no 'insuspeitos economistas' - retrocederam às desigualdades abissais da 'Belle Époque'. Por isso, sem desmerecer as medidas, que nunca se perca de vista que a política não pode ser uma 'medicina paliativa' para os 'estados terminais' dos modelos de abuso e descontrolo do próprio sistema. Em política as medidas são - só podem ser - 'meios' e não 'objectivos'. Confundir uma coisa com a outra resulta em capitulação.