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Exmos. Senhores

A pobreza dos outros será a nossa própria pobreza
A riqueza dos outros também

Começo por dizer que concordo com o que foi declarado pela Mariana Mortágua, veiculando a proposta do Bloco de Esquerda, sobre o novo imposto sobre a propriedade imobiliária de valor superior a €500.000,00.

É impossível querer menos pobreza e desigualdade, maior justiça e coesão sociais, sem criar medidas que tal promovam. Os impostos são desde logo um instrumento redistributivo dos rendimentos e da riqueza que permitem fazê-lo. É portanto necessário ter coragem para os utilizar sem vacilar.

Ao contrário do que tem sido dito pelos partidos que se sentam à direita no parlamento, e por alguns cronistas com eles alinhados, não se trata de nenhuma caça aos ricos, nem sequer à chamada classe média, um conceito muito amplo, que vai desde a classe média baixa à alta. Tal não é verdade.

Os partidos que há décadas têm feito parte do chamado arco do poder, PSD, PS e CDS, são os primeiros responsáveis pela elevada dívida pública e respetivos juros que nos estrangulam, por gastarem muito acima das nossas possibilidades, em brinquedos caros como algumas autoestradas sem tráfego que as justifiquem, construção ou renovação de muitos estádios de futebol, aquisição de submarinos, ou o aeroporto de Beja, entre outros. Agora assobiam para o lado, como se não tivessem nada a pesar-lhes na consciência.

Também se esquivam a falar no agravamento das situações de pobreza e de desigualdade que se agravaram, havendo cada vez maior número de ricos cada vez mais ricos, enquanto os pobres são também cada vez em maior número e mais pobres.

Hoje, PSD e CDS, armam-se em cavaleiros em defesa da classe média, que ajudaram a empobrecer, com um único objetivo: capturar votos, manipulando a sua memória, de modo a iludir a sua responsabilidade.

Partilho uma experiência pessoal. Em 1983, finda a licenciatura em arquitetura, fiz uma viagem à Dinamarca, um dos três países nórdicos monárquicos social-democratas. E gostei do que vi. Já na altura conhecidos pelos impostos muito elevados, o retorno era claro: não havia sinais de habitações sem condições, nem moradias faraónicas; não vi carros a cair de podre nem Ferraris; não vi mendigos nem sem-abrigo.

E tudo isso compatível com economias fortes nesses países, com instituições e serviços públicos fortes – o estado social não era de todo uma miragem – assim como havia um setor privado igualmente forte.

Afinal sempre é possível acreditar que pode e deve haver solidariedade e humanismo, e que impostos adequados não são impeditivos de uma economia forte. Estes países têm sido classificados como os primeiros do mundo em indicadores como por exemplo de desenvolvimento humano, qualidade de vida e felicidade. A tributação de impostos, a serem corretamente cobrados e utilizados, são uma ferramenta fundamental.

Mas mesmo nesses países, também há ricos. Lembremos por exemplo o dono da famosa cadeia de lojas e fábricas de mobiliário IKEA, um dos homens mais ricos do mundo. Só que os mesmos têm que ser chamados a ajudar de forma adequada os seus países e cidadãos.

Por cá o caminho não pode ficar por aqui. Ainda há muito a fazer e com urgência. Haja princípios e valores, convicção e determinação.

Melhores cumprimentos,
Paulo Figueiredo
(monárquico, militante do PSD, mas social-democrata)