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O recurso a um bom dicionário pode esclarecer-nos sobre eventuais incorreções semânticas. Para mim, claro, Bush e Blair são mega terroristas que deviam estar sentados na barra do Tribunal Penal Internacional. Isto, sem esquecer os cúmplices menores que foram os figurantes ibéricos.
Só que há que ter muito cuidado com a classificação de terrorismo exclusivamente em função do número de vítimas, desvalorizando a forma como são praticados os crimes, os contextos e os objetivos prosseguidos. Por conseguinte, não hesito em classificar de criminosa uma certa narrativa desculpabilizante das atrocidades do Daesh. Pergunto se os chamados "combatentes britânicos do estado islâmico" - não sei se o entusiasmo do descoco não levará a considerá-los membros de algum exército de libertação anti-imperialista...- têm lugar entre nós. Terão eles lugar entre nós, sem mais, apenas nos sendo exigível uma infinita bondade cristã, uma infinita compreensão e respeito pelas diferenças, pelo anti-conhecimento, pela visão retrógrada do mundo, e até respeito pela sua loucura, sem obviamente excluir-lhes o direito de decapitarem quem lhes apetece na primeira curva? A nós próprios, por que não?...
Ok, na guerra da informação e da contra-informação, não é inocentemente que, quer de um lado, quer de outro, se dão nomes às coisas. Mas também penso que essa não é a principal questão. Para além da condenação das disputas inter-imperialistas (invariavelmente com guerras na casa dos outros), não tenho dúvida de que, num quadro objetivo de gravidade semelhante, não existe diferença entre um terrorista e um criminoso comum. Os efeitos de um massacre não são diferentes por aí assim, quer sejam praticados por um maníaco do gatilho sem berrar o nome de Alá, quer sejam em nome do islão. Ambos devem ser contrariados a todo o custo, sem discriminação positiva do "terrorista" para contrariar os enviesamentos semânticos do imperialismo.
A semântica não é o principal problema, ainda assim, ajuda a deslindar em qual das barricadas queremos estar. E isto vale para todos.