You are here

Add new comment

Nuno Pinheiro, permita-me discordar da sua afirmação ao dizer que «a educação relativa às várias religiões não é nem livre, nem igual». Todas as religiões têm lugar na escola de acordo com os requisitos afixados pela lei da liberdade religiosa (Lei n.º 16/2001 de 22 de Junho, Art.º 24). É óbvio que os números interessam. Se há uma maior adesão dos alunos e encarregados de educação à proposta da Igreja Católica e menos alunos a aderir a propostas de outras confissões religiosas é porque os portugueses se identificam maioritariamente com a confissão católica. No entanto, há escolas onde a Educação Moral de outras religiões ou confissões religiosas está presente.
Quanto ao programa da disciplina, é como em muitas situações (até na política). A equipa nomeada pela estrutura ligada à Igreja Católica, o Secretariado Nacional da Educação Cristã, elabora o programa enquadrado nos limites afixados pelo Ministério da Educação. Se os encarregados de educação e os alunos encontrarem alguma incompatibilidade com as suas convicções e liberdades, simplesmente não optam pela disciplina. Conheço muitas situações de alunos de outras religiões que eles ou os pais optaram pela disciplina de EMRC (C de Católica!), dada a abertura que os professores têm tido no diálogo com as outras propostas religiosas.
Na fase final do seu texto, pareceu-me entender (se estiver errado, corrija-me, por favor) que a disciplina de EMRC alimenta uma estrutura ideológica. Não é esse o papel da disciplina. A Igreja Católica tem uma visão do mundo com que muitos não concordam, mas que tem muitos outros que consideram muito válida. Se acharmos que isso é uma ideologia, não vejo qualquer mal, porque ninguém consegue ser neutro perante a vida (os que apregoam essa neutralidade, acabam por criar a sua própria cosmovisão baseada nas suas ideias).
Quando disse no meu primeiro texto que o Estado português tem toda a vantagem em cooperar com as estruturas religiosas que prestam um bom serviço à sociedade e que a destruição dessas estruturas causariam grande dano ao próprio Estado, refiro-me mesmo ao funcionamento da sociedade e não apenas a situações abstratas.
Tempos houve em que foi conveniente expulsar e perseguir a Igreja Católica para apropriação do seu património (basta ver a lista do património do Estado que veio da Igreja Católica: igrejas, mosteiros, conventos, etc.). Neste momento, a política é outra, porque há toda a vantagem que assim seja.