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Olá Mariana.
Agora com um mais pouco de tempo, venho acrescentar algo, que podendo parecer não ter nada a ver com o teu artigo de opinião, não deixará de ter alguma.
Uns bons anos atrás, recebo um convite da Secção do PSD do Algueirão, concelho de Sintra, para assistir a uma palestra, do até aí para mim desconhecido, Miguel Frasquilho. Fui à mesma e fiquei estarrecido. Sendo o PSD supostamente social-democrata, ele fez um elogio total do ultra-liberalismo, com exemplos de países da América do Sul, que sabemos como vieram a acabar. Além disso, defendeu com unhas e dentes o suposto valor supremo dos mercados, e da validade da sua auto-regulação.
Eu, que como sabes digo normalmente tudo o que tenho que dizer, e sou muitas vezes muito duro, fiquei completamente petrificado e nada consegui dizer.
Logo que soube do grande crash de 2008, a primeira coisa de que me lembrei, foi da palestra de Miguel Frasquilho. Não por acaso.
Mas não foi o único desgosto que este meu companheiro de partido me deu. Efectivamente, alguns anos depois, venho a saber que enquanto deputado do PSD, era simultaneamente Director do Espírito Santos Research (Grupo BES). Não aceito este tipo de situações, porque a função de deputado deve ser levada por diante em regime de total disponibilidade para o cargo, com exclusividade, pago pelo povo português, e sem qualquer tipo de relações promiscuas. Ao contrário do que fazia Miguel Frasquilho, entretanto elevado ao mais alto lugar para a promoção do comércio e investimento externo deste país. Prémios!...
Com o afecto, carinho e admiração de sempre,
Paulo Figueiredo (social-democrata, monárquico)