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Creio, Adelino Fortunato, que a causa principal da inexistência dum Syriza em Portugal quando a situação objectiva era/é ainda em tudo semelhante pelo menos à da Grécia é que o movimento de massas anti-austeridade grego, de natureza radical, violenta mesmo (porquê escamotear este facto?), se fez sentir logo desde o início da crise (nas ruas, nos sindicatos, na auto-organização radical da solidariedade operária) e confluiu com a actividade e firmeza do pequeno partido radical que era o Syriza da época (que não nasceu há um ano, mas estava já presente e activo há pelo menos 10 no interior dos sucessivos movimentos de massas e organizações) e em Portugal tal não aconteceu/acontece. Isto, claro, a par do apodrecimento do PASOK (muitas das suas bases e quadros encontraram refúgio no programa e na bandeira do Syriza; de a extrema-direita, depois dum primeiro momento de crescimento ter aparentemente atingido o seu pleno; e de o PC se blindar adentro das suas fronteiras de classe. Os partidos da democracia e as instituições tiveram uma origem e legitimidade igual aos congéneres portuguees (ambos os países sairam de ditaduras, sendo que a Grécia viveu uma "transição" diferente da portuguesa --- aqui na Grécia não houve PREC --- o PASOK e o PS a seguir ao 25 de Novembro são idênticos, cada qual com percurso próprio, claro). Creio, assim, que em Portugal, mais do que as capacidades organizativas (que são limitadas, reconheçamo-lo) e de liderança política (estas existem em termos individuais), o que falta/faltou é consequência da ausência dum corte com as práticas anquilosadas nos grandes sindicatos e confederações sindicais e que a espontaneidade inicial da luta de massas em Portugal não foi suficiente para com a força real que demonstrou impor/exigir essa ruptura, nem aqueles que organicamente a poderiam suscitar/exprimir estiveram presentes. Depois, mais tarde, já com a vontade de ganhar o Governo (sobretudo, de nunca ter recusado essa possibilidade) haveria que reconhecer que o o nível e as capacidades de liderança do agrupamento que é o Syriza contam/contaram muito. Saudações, abraços (não reli o que escrevi, espero que seja legível, como é o teu artigo, que apreciei)