You are here

Add new comment

"Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras”. Sempre considerei esta afirmação ofensiva, e explico porquê. Começo por afirmar que apoio incondicionalmente a possibilidade de trabalhar e estudar no estrangeiro assim como todas as possibilidades de mobilidade. Estou-me a contradizer? Não. Estou-me a basear num princípio básico humano: a diferença. Sempre houve, e até mesmo em países ricos, pessoas com vontade de trabalhar em outros países, mudar de vida, seguir outros objectivos. Existem até aquelas pessoas que se identificam mais com outros países e culturas do que aquele onde nasceram. Mas, claro está, também existem aquelas que simplesmente têm no seu país o seu lugar de felicidade. Desejam estar no seu lugar de identificação, com a sua família, o seu núcleo de pessoas amadas, os seus projectos pessoais. Se no primeiro caso, é uma oportunidade e uma realização pessoal emigrar, é o por oposição, neste último caso, uma experiência vivida e sentida como exílio. Todos devem ter liberdade para escolher onde desejam viver e trabalhar. Para muitos é não ver os filhos crescerem, é não participar nos encontros de família, é deixar parte de si mesmos para trás, e por mais que se adaptem ao país de acolhimento, haverá sempre uma lacuna nas suas vidas. É em muitos casos, desenraizar-se de uma parte substancial do seu ser, por obrigação da subsistência. Ao chamarem zona de conforto ao núcleo familiar, pessoal e vivencial, e a denegrirem a diferença entre os seres humanos, é uma forma dos governantes subestimarem e insultarem muitas pessoas só porque estas desejam, muito legitimamente, ficarem na sua casa, com direitos ao trabalho e á dignidade pessoal.