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Por infeliz coincidência, no dia em que Obama anunciou que a Venezuela “constitui uma extraordinária ameaça para a segurança nacional e para a política exterior dos Estados Unidos”, pelo que “declaro a emergência nacional para tratar com essa ameaça”, o Esquerda.net, pela primeira vez desde o início deste ano (e de mais atrás ainda), faz referência a esse país publicando o presente artigo sobre as dificuldades e fraquezas do “socialismo do sec. XXI” do regime chavista.
Digo “coincidência” porque não me passa pela cabeça que tenha havido qualquer intenção especial em o artigo ser colocado na mesma data em que os EUA, após o permanente apoio ao crescimento do golpismo interno da oposição direitista na Venezuela, dão agora mais um passo na intenção de uma intervenção armada, seja directa ou por interpostos actores. (A propósito é bem elucidativo o último artigo de Atilio Boron no seu blog).
E a coincidência é infeliz, não porque o artigo não seja de interesse, levantando questões pertinentes, mas sim porque o esquerda.net foi capaz de passar meses insensível ao crescendo do golpismo contra o governo venezuelano, ignorou a sua denúncia e desmantelamento da recente tentativa de derrube militar e, mesmo quando o poder americano parece disposto a tudo para não aturar mais a permanência do governo venezuelano, o site “oficioso” do BE, permanece indiferente a tais factos e apenas se lembra da Venezuela para lhe apontar os próprios erros.
E o mesmo se poderia dizer sobre Cuba, em que a propósito do reatamento das relações com os EUA, o esquerda.net, para quem o bloqueio e as manobras estadunidenses contra Cuba nem merecem menção, no dia seguinte a dar aquela notícia, se apressou a publicar a informação de um protesto em Havana de “dissidentes” contra o regime cubano, pouco se incomodando em estar a utilizar como fonte informativa a “libertária” cuba.net, dócil instrumento da administração americana.
Tomando a liberdade de considerar que o vosso site não vive “em roda livre” relativamente ao que será o pensamento do Bloco sobre esta questão (ainda que “oficialmente” pouco ou nada seja dito), espanta-me que um partido que sobre as possíveis características do Socialismo que almeja, sobre os caminhos para lá chegar, prefere deixar para mais tarde esse aprofundamento (o caminho faz-se caminhando…), que, sobretudo, prefere não acirrar divergências internas nesse campo (preferência com que concordo) em nome de uma unidade e acção indispensáveis para a luta pelo derrube dos nossos governos austeritários e contra a selvajaria do capitalismo, espanta-me que este mesmo partido seja tão sensível aos defeitos e inconsistências de alguns outros que no mundo fora, ainda que mais mal que bem, defendem também esse objectivo, e em posição bem mais complicada por não o fazerem como mera oposição, mas tendo nas mãos a “batata quente” do governo.
Sensibilidade que acaba por ter o seu contraponto na pouca atenção que é dada aos crimes e às manobras permanentes do ponta de lança do “imperialismo global”, não só as encobertas ou encomendadas, como até as proclamadas alto e bom som como a declaração de Obama que me levou a este comentário.