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Cara Mariana

Tenho oitenta e seis anos, quarenta e oito dos quais vividos durante a ditadura de Oliveira Salazar o que me dá uma perspectiva de vida muito diferente de muito boa gente que sobre esse período negro se permite dar na TV opiniões bebidas em livros, manuais e sebentas. Não sou filiado em nenhum partido político, não sou nem maçon nem católico, 100% agnóstico, apenas e só um cidadão comum que gosta de pensar com a cabeça e utilizar a dúvida sistemática como arma para não se deixar intoxicar por uma Informação inquinada pelos interesses dos grandes grupos económicos que a controlam.

Dos duzentos e trinta cidadãos que compõem a assembleia onde a Mariana trabalha tenho a firma convicção que o número dos isentos, sérios e empenhados no melhor para a terra onde nasceram se pode contar pelos dedos e, preocupantemente, pelos dedos de uma só mão. Todos os dias lemos nos jornais que o político tal foi julgado por traficâncias várias e, no fim, o tribunal lhe aplicou como pena x anos de prisão com a pena suspensa. Ou seja saiem de lá a rir e vão almoçar no Gambrinus uma lagosta para comemorar o desfecho.

Prescrição a seguir de prescrição, escândalo a seguir a escândalo, são o pão nosso de cada dia e de vez em quando lá aparece uima prima-dona paralamentar a cantar a ária de que “é preciso acabar com a corrupção”. Tal como o fogo de vista brilha algum tempo e apaga-se logo em seguida. Nunca ninguém mexe a série no onus da prova, no enriquecimento ilícito e nas conhecidas roubalheiras que o Correio da Manhã espeta na primeira página geralmente num dia em que não há ninguém na PGR para ler o jornal.

Tenho acompanhado a sua carreira e vou lendo SEMPRE COM AGRADO tudo quanto escreve, quer na Net, quer no Expresso um jornal duma coisa com pernas que vai ao Grupo de Bilderberg e pontifica por cá com uma séria de títulos que, para mim, apenas têm como principal vantagem dar emprego a muita gente da Media infelizmente mal paga.

Muito obrigado pelo presente artigo que me veio confirmar tudo quanto já sabia sobre este boy do PSD e pela sua amigalhaça do peito que é a nossa ministra das Finanças que temos que pagar e pagar com língua de palmo.

Creio que a nossa pseudo-democracia sofre duma doença para a qual não se encontra cura, pelo menos que eu saiba: as pessoas mais competentes em determinada área (e estou precisamente a pensar em si e no Louçã) jamais terão possibilidade de poderem ajudar o país a ressuscitar económica e financeiramente porque, pela sua opção ideológica, nunca poderão ter o poder necessário para fazer o país entrar no rumo certo para escapar à tempestade em que está mergulhado.

Considero-os aos dois os nossos melhores economistas na actualidade, mas todo o vosso saber apenas serve (e já não é mau…) para diagnosticarem os podres e porem a boca no trombone para urbi et orbi as massas exploradas terem acesso a tudo quanto os governantes ou varreram para debaixo do tapete ou fecharam a sete chaves nalgum cofre ministerial.

Mas não desanime que não está só. Muitos como eu disseminam na Internet os seus escritos e, como sabe, os mails de retransmissão em retransmissão como se propagam em progressão geométrica ao fim se alguns patamares já influenciaram um milhão de leitores.
Receba os meus cumprimentos e nunca desfaleça. Um dia, sabe-se lá quando, o quarto minguante dará lugar ao aparecimento da Lua cheia…

Henrique de Penha Coutinho