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Desde já grato pelo comentário !

Na verdade diria que para produzir patologias "graves" nem sequer é necessária intervenção do capital, uma "sociedade disciplinar" é suficiente. Contudo, atualmente, a possibilidade de alteração da neuroplasticidade do cérebro humano é substancialmente mais eficaz e perturbadora dadas a complexidade da interação homem-tecnologia-ambiente, bem como os seus efeitos, designadamente nos processos de individuação. Se no sec. 19 Nietzsche descartava deus como quem descasca uma banana, no sec. 21 o capital atingiu a velocidade da luz e flui muito melhor pelos neurónios.

"Reconquistar a democracia e a liberdade ", de facto, dito assim, parece um slogan de um partido de extrema-esquerda :)...mas não era isso que se pretendia aqui.

A questão no fundo é saber como é que a "política futura" lidará com a estrutura tecnológica (e seus usos) montada pelo capitalismo cognitivo (comunicativo, semiótico,...) de modo a reverter a sua tendência actual de dominação (glocal): Assange, Snowden,... ou seja, como vai conquistar poder para reconquistar democracia&liberdade (no plural ?) que obviamente estão severemante danificadas (independemente do significado de ambas as ideias).

É uma questão de poder, de reconquista da potência acumulada pela máquina tecno-capitalista...resta saber como ?
Com este curto artigo apenas tentei evocar uma dimensão do capitalismo que deve ter mais atençãocaso se pretenda destruir a hegemonia e implementar as transformações político-sociais.

* O grau de perda é perceptivel por comparação com a década anterior (p.ex.), não vejo que Hegel seja necessário para isto, não é uma questão de metafísica da história. Dos direitos laborais ao sistema de saúde, etc, etc, a perda é acentuada e reflecte-se na perda fundamental de democracia&liberdade.

Por fim, não se trata de uma questão de detreminismo ou pessimismo tecnológico, é óbvio que esta mesma estrutura tem potencional revolucionário comprovado e fornece resistência simbólica, no entanto o uso e abuso de poder é ainda muito assimétrico

Cumprimentos,
Rui Matoso