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Este artigo merece ovações eternas... eu como muitos dos meus colegas enfermeiros senti a necessidade de me juntar ao número assombroso de jovens recém licenciados que se despediram dos amigos, da família, das rotinas e hábitos de vida, em suma, do país para que pudesse sentir o conforto de me garantir um futuro. Em Abril de 2013 mudei-me para a Irlanda porque depois do número desmesurado de CV enviados e entregues em mão caí no ridiculo de ser chamado para uma entrevista... menciono ainda que conclui o meu curso com média de 16, incluido nos 25% finalistas com melhor média, mais todas as formações acessórias... senti-me ridicularizado quando nem pela 'porta do cavalo' consegui uma entrevista. Sim. Tentei de tudo. E num ápice vários outros países se ofereceram, repito, se OFERECERAM para me contratar a mim e a milhares de outros enfermeiros. É verdade que a remuneração é atractiva. Mas acima de tudo garantem-me formação continua, o mínimo de respeito e dignidade e contratos sem termo. Sofro diariamente com saudad3s dos meus pais, amigos, do sol. Mas consigo ser independente, dar alguma garantia aos meus pais que aquilo que eles investiram em mim deu frutos finalmente... tenho pena de não ter ficado e lutado, mas mãos vazias e um olhar para um horizonte sem mar, céu ou terra não dão força nem incentivo a ninguém. Hoje penso ser enfermeiro na Irlanda e não em Portugal. Amo o meu país, mas se o meu país nao me quis nem mostra querer, há outros que querem, lutam e desejam o meu futuro e o futuro deles mesmo. Portugal simplesmente já nao quer um futuro. Quer deixar andar o presente e rezar para que 5% da ppopulação se finja de contente...