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Eu frequentei 2 universidades diferentes, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, por um ano, e depois a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Estive na FEUP também, mas na altura já tinha pouco tempo para praxes.

Em 2000, quando fui para a UTAD, estava ainda presente o caso de algumas praxes exageradas, como uma aluno que foi deixada no Marão e outros abusos, como pessoas externas à UTAD a praxar caloiros, por não existir a obrigação de estar trajado para se poder praxar. Muitas das praxes que fiz - e que eram relativamente comuns - passavam por limpar a casa e fazer jantar para os "doutores". Outras implicavam actividades mais lúdicas e plenas de parvoice. Mas também conheci a cidade, grande parte dos alunos dos diferentes cursos que me praxaram - ao ponto de conhecer pessoas em quase todos os cursos - e diverti-me imenso. E isso foi o que me ajudou, uma vez que até então, a minha vida tinha sido na cidade do Porto, e era um em 80 alunos vindos de diferentes parte do Norte do país. Existia sempre o medo de não pertencer, não conhecer, de ficar excluido. É para quem não é local, é um medo real. No entanto, nunca ninguém foi colocado em perigo, ameaçado ou perseguido por não participar em todo o que era pedido.

Quando vim para a UP, a situação era ainda mais soft, pois quem não queria ir, não ia e pronto. No entanto, havia um certo "olhar de lado" para quem não alinhava, pelos mais velho. Eu fui, novamente, por opção para me integrar e criar amizades. Foi em 2001 e ainda este ano nos encontramos todos em 3/4 jantares por ano, casamentos, aniversários e etc. Quando chegou a minha vez de praxar, apliquei o bom que me ensinaram e exclui tudo o que fosse parvo. E pelo que vi nos anos seguintes assim foi. Da mesma forma que "controlavamos" os que abusavam ou queriam abusar dos caloiros.

Mais do que um problema da praxe, é um problema das pessoas. Quem tem necessidade de alimentar o ego, de exercer posição de controlo, de sentir-se bem ao rebaixar os outros, vai aproveitar as oportunidades, seja na praxe, no emprego, no jogo de futebol com os amigos. Os conceitos de união, amizade, espirito de grupo que me tentaram sempre passar na praxe foi o que sempre tentei valorizar e passar aos que vinham depois de mim. Isso, e aproveitar o tempo do primeiro ano para se divertirem, porque dali para a frente a vida ia complicar.

Este caso está por explicar e portanto há muito que se desconhece sobre a praxe. Mas enquanto os participantes que organizam pensaram mais na sua diversão do na dos caloiros, e os caloiros se limitarem a dizer que sim a tudo, casos como este vão continuar a suceder. Tal como num emprego, é preciso saber dizer não ao abuso e aproveitamento dos superiores. Andar na faculdade também serve para crescer, não só para tirar um canudo.

E para terminar, só uma achega à questão do traje. Presumo que todos saibam, mas o traje é um uniforme dos estudantes universitários, cujo objectivo era evitar a distinção entre os alunos. Tal como uma simples farda. A subversão do conceito inicial é o mesmo que acontece em todas áreas da sociedade.