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É uma das muitas contradições da utopia neoliberal. Em teoria, qualquer um pode arranjar um carrinho para vender pipocas e ser "empreendedor." Ou pegar no seu automóvel particular e fazer-se taxista. Na prática, para tudo são precisos alvarás e licenças, e estas autorizações são artificialmente escassas.

Dirá um neoliberal que lhe estou a dar razão: menos Estado, menos regulamentação, e o problema da escassez das licenças estaria resolvido. Mas o Estado hiper-regulador, numa democracia menos que perfeita, não resulta da vontade popular: resulta inevitavelmente do funcionamento dos mercados e da vontade política dos "empreendedores" que, tendo chegado ao topo, procuram eliminar a concorrência vinda de baixo.

Os regulamentos diversos que impedem o Miguel de vender pipocas e a mim de transportar pessoas não reflectem uma (inexistente) hostilidade do Estado aos mercados, mas a natureza auto-destrutiva destes.

Se o fascismo é, segundo a definição de Mussolini, a fusão entre o poder do Estado e o poder das corporações, então o regime político em vigor na Europa de hoje é o sonho fascista tornado realidade; e a narrativa libertária é a legitimação do fascismo.