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Nós temos o direito de frequentar as touradas ou não, é certo. O touro não tem esse direito. Se tivesse, obviamente escolheria não ir. A questão do "direito à tourada", portanto, só faz sentido se assumirmos que o touro não tem o direito de viver sem sofrimento ou que nós não temos o dever de não causar sofrimento desnecessário ao touro.
Sei bem que, em algumas localidades, as touradas são espectáculos de massas. Sei também que isso deriva de um desinvestimento contínuo na cultura. Se não existe nada além da tourada, é natural que as pessoas se agarrem a ela.
Defender que as touradas devem ser apoiadas financeiramente pelas autarquias porque são espectáculos de massas é perigoso porque o mesmo argumento pode ser usado para legitimar qualquer tipo de espectáculo degradante. O que está em causa não é o gosto individual de cada um/a, mas antes a forma como nos queremos definir como sociedade. Queremos definir-nos como uma sociedade que encontra diversão na tortura pública de um animal?