André Julião

André Julião

Jornalista

Costa vai apregoando políticas de esquerda enquanto abre portas ao “mercado”, o mesmo que vai desenhando um país mais desigual, menos acessível aos jovens e com menores perspetivas de garantir um futuro melhor para a maioria.

O que faz falta à nossa juventude – deprimida, irritada, ansiosa – é a devolução de anos de vida, de experiências, de convivência, de amores e desamores. E não é com receitas policopiadas de Valdispert que vamos compensar toda uma geração que foi maltratada sem piedade pelo país onde nasceu.

O desafio hoje é explicar a uma juventude desiludida que o caminho não é o do “salve-se quem puder”. Dá trabalho e leva tempo, mas são pequenas histórias como a do tio Orlando que podem ajudar a desconstruir o discurso fácil, leviano e enganador da teoria liberal.

Nos últimos dias, confirmou-se aquilo de que muitos já suspeitavam: os ministros do governo PS não vão ao supermercado, pois o Executivo ignora as dificuldades porque a maioria dos portugueses estão a passar.

Talvez a crueza e a crueldade dos números de McLurg estejam cinicamente corretas. Ou talvez devêssemos olhar da mesma forma para seres humanos que fogem da morte certa. Em Kiev, como em Mogadíscio, em Aleppo ou em Mossul. Uma vida é uma vida.

O cheque-ensino é uma falácia, tem provado ser um rotundo falhanço nos países onde tem sido aplicado e é sinónimo de discriminação, de desvalorização do ensino e de piores resultados.

Temos hoje, com um governo supostamente de esquerda, uma geração sem perspetivas de futuro, que se afunda num mar de precariedade, sem garantia de poder viver num país e exercer a profissão que escolheu com dignidade e liberdade.

António Costa promete ficar na História como o primeiro-ministro que perdeu a oportunidade de melhorar efetivamente a vida das novas gerações.

Cabe ao país decidir se tem realmente vontade de voltar a essa agenda ideológica de “libertação” que, à boleia da troika, tentou suprimir serviços públicos e direitos fundamentais. Porque essa apregoada “liberdade” tem custos. E bem altos!

Hoje é fácil aplaudir o Plano Nacional de Remoção do Amianto das escolas. O que muitos talvez não saibam é que a erradicação do amianto das escolas que vemos agora em velocidade de cruzeiro começou com uma pequena associação de pais e encarregados de educação.