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Zero defende novo modelo de acordos comerciais

A associação Zero desafiou o governo a promover um "amplo debate” sobre a política europeia no âmbito do comércio internacional, depois da Valónia ter rejeitado o CETA.
Imagem retirada do site da Zero
Imagem retirada do site da Zero

O repto da Zero-Associação Sistema Terrestre Sustentável surgiu depois da região belga da Valónia “não ter autorizado o governo belga a assinar o acordo de comércio livre entre a União Europeia (UE) e o Canadá”.

“Com este gesto, o parlamento regional da Valónia foi e será sempre reconhecido como aquele que iniciou um momento de viragem na política europeia na área do comércio internacional”, afirma a associação, recordando que os restantes governos europeus, entre eles o português, que tem assumido uma postura de “defesa acrítica do CETA”, têm “a sensibilidade política” de perceber a “oportunidade que lhes foi colocada nas mãos”.

Desta forma, a Zero apela a que o governo português “tenha a sensibilidade política de escutar os cidadãos europeus e os diferentes intervenientes que de uma forma construtiva colocaram os problemas com o CETA, e estão agora disponíveis para colaborar na construção de um novo modelo de acordos comerciais”.

Contestação sem precedentes

Susana Fonseca, da direção da Zero, disse à Lusa que “é necessária uma mudança de fundo na abordagem europeia ao comércio internacional”, para se colocar esta “ferramenta fundamental” das sociedades desenvolvidas ao serviço das pessoas e do respeito pelos limites impostos pelo sistema terrestre.

“O dia de hoje  não representa o fim do comércio, mas antes o início de um novo olhar para o comércio internacional enquanto área estratégica para concretizar os objetivos do desenvolvimento sustentável”, sublinhou Susana Fonseca.

Para Zero, a negociação da nova geração de acordos comerciais entre a União Europeia e países terceiros, nomeadamente com o Canadá e os Estados Unidos, tem provocado uma “onda de contestação sem precedentes” na história da Europa.

O dia de hoje  não representa o fim do comércio, mas antes o início de um novo olhar para o comércio internacional enquanto área estratégica para concretizar os objetivos do desenvolvimento sustentável

“O secretismo com que os textos dos acordos são negociados, a inclusão de novas áreas de intervenção, como é o caso da cooperação regulatória, ou os direitos atribuídos às grandes multinacionais para processarem os Estados quando estes legislam em sentido contrário aos seus interesses, são alguns dos aspetos que têm sido criticados por organizações de diferentes quadrantes sociais”, lê-se no comunicado daquela associação.

A Zero adianta ainda que nem o parlamento da Valónia, nem os inúmeros elementos interessados de diferentes quadrantes sociais, nomeadamente as associações ambientalistas, sindicatos, associações de consumidores, ordens profissionais, regiões, pequenas e médias empresas (PME) e as associações de agricultores, que têm apontado múltiplos problemas que o texto do CETA apresenta, “são contra o comércio”.

“Simplesmente, defendem um modelo de comércio diferente”, sublinha, fazendo notar que a região belga da Valónia foi “a única a escutar os cidadãos europeus e a não abdicar dos seus princípios democráticos”.

O CETA, por ter sido “negociado à porta fechada", não envolveu a sociedade civil, critica a associação, considerando que se trata de um acordo de comércio e investimento negociado entre UE e o Canadá.

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