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Votar no Bloco "vai fazer toda a diferença"

No comício de encerramento da campanha autárquica do Bloco de Esquerda, esta sexta-feira na Alfândega do Porto, Catarina Martins falou sobre o país “que tem sido esquecido” pelas maiorias absolutas. Por isso, pede o voto no Bloco “contra a alternância” e o “clientelismo” autárquico. 
“É preciso combater as maiorias absolutas, e ter a certeza de que nestas autárquicas se colocam em cada concelho vereadores que sabem ouvir. Vereadores que vão ser uma voz ativa na defesa das populações. Que sabem que há tanto por fazer”, disse Catarina Martins. 
“É preciso combater as maiorias absolutas, e ter a certeza de que nestas autárquicas se colocam em cada concelho vereadores que sabem ouvir. Vereadores que vão ser uma voz ativa na defesa das populações. Que sabem que há tanto por fazer”, disse Catarina Martins. 

“Nesta campanha fizemos aquilo que o Bloco de Esquerda sabe fazer: ouvimos as pessoas”, disse a coordenadora do Bloco esta sexta-feira no encerramento da campanha autárquica do Bloco de Esquerda, na Alfândega do Porto, acompanhada por Marisa Matias e João Teixeira Lopes, candidato à Câmara Municipal do Porto. 

“No Bloco de Esquerda temos feito um caminho no país que as pessoas reconhecem. E tantas vezes que ouvimos na rua: “Força! Força! Lutem por nós, sejam a nossa voz, lá estamos, vocês não desistem!” E a cada uma que nos diz Força, respondemos “juntamos forças, construímos em conjunto”, continuou. 

Segundo Catarina Martins, o Bloco tem “orgulho no caminho o país está a fazer”, diz. “Ainda bem que hoje já não estamos reféns da direita que só sabia empobrecer o país e que nos dizia que a cada dia averíamos de viver pior do que no dia anterior. Foi um caminho feito pelo qual lutámos. E lutamos a cada dia para que a vida concreta das pessoas seja melhor. Para que haja segurança na pensão de quem trabalhou toda uma vida. No salário de quem trabalha. No direito de quem trabalha a uma trabalho digno. Nos serviços públicos que devem servir todas e todos”. 

Mas, alerta, “sabemos que há muito por fazer. Porque conhecemos as pensões de miséria do nosso país e sabemos que temos de fazer muito mais justiça a quem trabalha e trabalhou toda uma vida. Não nos esquecemos em nenhum dia dos salários que são baixos demais, ou da precariedade e do desemprego de longa duração. Não nos esquecemos em nenhum dia das tantas lutas por travar, e ouvimos”. 

Para Catarina Martins, “é importante combater as maiorias absolutas porque elas não ouvem e não vêm a maior parte dos problemas. E se é importante combater as maiorias absolutas quando tudo corre mal, quando começa a correr melhor, é também preciso combater as maiorias absolutas para garantirmos na política a humildade de quem sabe ouvir”. 

“Temos de saber ouvir quem nos diz que o aumento das pensões não chegou e que as pensões são ainda curtas demais. Temos de ouvir quem foi excluído do novo regime para acesso às pensões e começou a trabalhar novo demais e nunca mais se consegue reformar. Temos de ouvir os professores que nos pedem para serem respeitados e para terem condições nas escolas porque sabemos que professores a trabalhar bem são escolas que respondem melhor ao país”, continuou. 

“Temos de saber ouvir quem nos diz que nos Serviço Nacional de Saúde as coisas não estão bem e que temos de fazer melhor. É preciso a humildade para ouvir, porque só assim podemos continuar a construir um caminho de recuperação dos rendimentos do trabalho, das pensões, salários, dos serviços públicos, de crescimento da economia, de criação de emprego”. 

“É preciso combater as maiorias absolutas, e ter a certeza de que nestas autárquicas se colocam em cada concelho vereadores que sabem ouvir. Vereadores que vão ser uma voz ativa na defesa das populações. Que sabem que há tanto por fazer”, reforçou. 

“O Bloco de Esquerda nesta campanha foi aos temas essenciais das autarquias. Desde logo o direito à Habitação. Porque está por construir em Portugal esse pilar do Estado Social e da Democracia que é o acesso à Habitação condigna para todos e para todas. Falámos de transportes, porque afastámos o fantasma das privatizações, mas é preciso agora garantir o investimento para que haja transportes coletivos públicos em todo o país que sirvam efetivamente as populações e com tarifários que as pessoas possam pagar”, declarou. 

“Porque sabemos que num país onde é mais caro colocar uma criança na creche do que pagar as propinas da universidade, tem de ser prioridade autárquica responder pelas crianças. Fazemos a luta contra a precariedade porque o Plano Nacional Contra a Precariedade não pode ficar fechado no parlamento nem pode ser só para a administração central. Temos de combater a precariedade em todo o país. No público e no privado. E as autarquias têm de ter o compromisso Precariedade Zero, pelos direitos de quem trabalha”, exigiu. 

“Queremos que as pessoas olhem para os nossos concelhos e saibam que aí podem viver. Queremos garantir que bens essenciais que são todos, como a água, são Públicos e integralmente públicos. E que toda a gente tem direito a esse bem essencial, esse direito humano de acesso à água que queremos garantir. E lutamos pela transparência”, reforçou. 

“No poder local tem faltado a transparência e tem sobrado o clientelismo. Há ainda tanta opacidade. Há ainda tanto negócio por explicar. Há tão pouca prestação de contas nas autarquias. E aqui está o Bloco de Esquerda a dizer que não aceitamos uma democracia de segunda no poder local. E que a transparência, o combate à corrupção e ao clientelismo estão no nosso ADN, e que é esta conquista que queremos levar para cada freguesia e para cada concelho”, concluiu.

"Estamos prontos”, diz João Teixeira Lopes

João Teixeira Lopes citou Sophia de Mello Breyner Andresen para defender uma cidade “justa” que se pode habitar e viver. E criticou duramente as “fachadas cenográficas” de Pizarro e Rui Moreira. 

“Esta campanha desvendou o Porto para além das fachadas cenográficas do cartão postal e do espetáculo, que reduzem a cidade a um conjunto de imagens às quais somos estranhos e exteriores. Imagens sem gente, porque só admitem figurantes, passantes e consumidores”, começou por dizer. 

“Rui Moreira diz que o Porto nunca esteve tão bem e Pizarro grita que está fantástico. Nem um só dia desta campanha deixei de lhes perguntar: tão bem e fantástico para quem? É que persistem as feridas abertas desta cidade, tanta gente esquecida e marginalizada, tantas pessoas expulsas dos seus territórios, tantas cidadãs e cidadãos a quem tiraram a cidade, 8 mil deixara o Porto neste mandato”, acusou. 

E relembrou que “Rui Moreira e Manuel Pizarro foram inseparáveis durante quase 4 anos. Separou-os a vaidade e a sede de poder: queria um que o outro ficasse em terceiro lugar; queria o outro ser o segundo do primeiro. Mas, como Pizarro afirmou repetidas vezes com matemática precisão, 87,4% do programa é idêntico, o que explica que as diferenças sejam superficiais e artificiais”, disse. 

Como exemplo, deu as “semelhanças” nas concessões a privados do serviço de recolha de lixo, defendida tanto por Pizarro como Rui Moreira. E ainda “semelhanças na inoperância perante a pressão turística, na falta de coragem para travar a pressão imobiliária, o aumento do preço dos terrenos e das rendas nos bairros sociais ao invés do que foi aprovado na assembleia da república por PS, Bloco ou PC”, relembrou.

“Cumplicidade no silêncio, na inação e no conformismo. Silêncio de Pizarro perante o caso Selminho que foi, dizia o próprio mal se soube da negociata, “completamente transparente” da parte de Rui Moreira. Afinal, os amigalhaços são mesmo para as ocasiões”, acusou. 

“Cumplicidade na inação, deixando de cumprir tudo o que prometeram sobre os sem-abrigo, os restaurantes solidários, o alojamento de inserção ou as equipas multidisciplinares de rua. Permitindo o alojamento de inserção ou as equipas multidisciplinares de rua. Permitindo que os bairros continuem sem equipamentos desportivos ou centros de animação cultural ou que os mais velhos sejam como que aprisionados em terceiros e quartos andares sem elevador ou acessibilidade adequada. Nas políticas sociais, a aposta da CMP no assistencialismo privado e caritativo traduziu-se na redução do orçamento municipal dedicado a vencer o défice social para uns ínfimos 3%”, referiu. 

“Cumplicidade no confirmismo, perante a escalada de um turismo sem regra, adiando a implementação da taxa turística, cuja receita seria de 10 milhões por ano, direcionada para a política de habitação. Ou ainda na falta de respostas para a prevenção e redução de riscos na toxicodependência, preferindo as tristes salas de chuto a céu aberto a salas de consumo assistido”, disse. 

“Esta cidade não é para principantes. Como dizia Manuel António Pina, o caminho para o lado mais profundo da cidade é por dentro. Se não descobres a cidade, ela descobre-te a ti". 

"Esta é uma cidade para amantes, para quem aprende a amar os seus ritmos, as suas feridas, a sua dignidade, o seu falar livre, insubmisso e intransigente. “Coração e punho”, escreveu Albano Martins e repeti-o durante a campanha. Um coração que se confunde com a cidade - e esta cidade é um punho erguido contra os miguelistas, os aristocratas e os sacristas de todos os tempos e de todas as espécies", continuou. 

Por isso, esta é a candidatura "para quem tem ganas de dizer: “esta é a minha cidade e, porra, eu quero viver nela”! Para quem não desiste, para quem não se separa dos seus sonhos e entra no futuro de olhos abertos”.

Citou depois um excerto de Sophia de Mello Breyner Andresen:

Sei que seria possível construir o mundo justo

As cidades poderiam ser claras e lavadas

Pelo canto dos espaços e das fontes

O céu o mar e a terra estão prontos

A saciar a nossa fome terrestre

“Não vamos deixar estes versos na eternidade me que já estão e que é a de Sophia. Vamos matar a nossa fome de justiça, de decência, de dignidade. Estamos prontos”, concluiu João Teixeira Lopes. 

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Termos relacionados Autárquicas 2017, Política
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