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Vitória da extrema-direita em Itália “mostra falência da UE”

“Quando se cavam as desigualdades, desacredita-se a democracia”, afirmou Catarina Martins em declarações à comunicação social, lembrando que a normalização da extrema-direita leva a que a direita tradicional se transforme “numa direita machista, xenófoba, racista, homofóbica”.
Catarina Martins em declarações à imprensa. Fotografia: Rodrigo Antunes/Lusa

“Se alguém alguma vez duvidou que a política europeia precisava mudar e muito, este é um bom momento para acordar” afirmou Catarina Martins, comentando a vitória da extrema-direita nas eleições em Itália, em declarações à comunicação social à margem de uma visita a uma residência universitária em Lisboa. 

Esta vitória “mostra a falência da União Europeia”, afirmou a coordenadora do Bloco, considerando que “não podemos continuar a cavalgar desigualdades, a ter políticas que põem todas as crises a serem pagas por quem vive do seu trabalho, com salários e pensões cada vez mais pequenos, com privatizações, com serviços públicos com cada vez com menos capacidade, porque se as democracias não respondem às necessidades do povo então deixam de ter legitimidade popular, como estamos a ver”. 

Catarina referiu que “o governo de Draghi não era de esquerda, era um governo do centrão, tecnocrata” e lembrou que em Itália a esquerda partidária há muito que era uma força residual, o que é “um problema grave”.

“Acontece a descredibilização quando se deixa de lutar por horizontes de maior igualdade, em que as pessoas possam perceber um horizonte de igualdade. Itália é um produto de partidos chamados de centro esquerda que foram sistematicamente cedendo a política ao campo liberal, à direita, às privatizações, às desigualdades” referiu. 

A coordenadora bloquista afirmou que “a alternativa tem que ser um projeto de comunidade que passa pelo respeito por quem trabalha, pela soberania popular, pelo controlo público de setores estratégicos, por serviços públicos fortes e de qualidade que sirvam toda a população para acabarmos com este caminho destrutivo em que quem trabalha é cada vez mais pobre e há uma elite que é cada vez mais rica”. 

Sobre a possibilidade de um cenário semelhante ao de Itália vir a acontecer em Portugal, Catarina Martins recordou que em 2019 o PS optou por um caminho que “em nada o distingue da direita". "E esse é um caminho perigoso”, avisou. 

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