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Visita de Obama a Cuba

Há 88 anos que um presidente dos EUA não visitava Cuba. Em conferência de imprensa, Obama afirmou: “Não vemos Cuba como uma ameaça aos EUA”. Raúl Castro voltou a pedir o fim do bloqueio económico.
Conferência de imprensa conjunta de Obama e Raúl Castro

O presidente de Cuba, Raúl Castro, declarou nesta segunda-feira, 21 de março, em Havana que as medidas adotadas pelo governo dos EUA no processo de reaproximação entre os dois países “são positivas, mas insuficientes”. Raúl e o presidente norte-americano, Barack Obama, fizeram um pronunciamento conjunto no primeiro dia da agenda oficial de Obama na sua visita à ilha, iniciada no domingo.

“Muito mais poderia ser feito se o bloqueio dos EUA fosse revogado. Nós reconhecemos a posição do presidente Obama e do seu governo contra o bloqueio, e os seus seguidos apelos ao Congresso para removê-lo. As medidas mais razoáveis adotadas pelo seu governo são positivas, mas insuficientes”, disse o presidente cubano.

“Existem diferenças profundas entre os nossos países que não irão deixar de existir, já que temos ideias diferentes em vários assuntos, como sistemas políticos, democracia, o exercício de direitos humanos, justiça social, relações internacionais e paz mundial e estabilidade”, declarou Raúl Castro, acrescentando que Cuba defende os direitos humanos, um ponto que é alvo de críticas de Washington, que afirma que Havana viola os direitos humanos. “Acreditamos que os direitos civis, políticos, económicos e culturais são indivisíveis e interdependentes”, disse.

“Na verdade, achamos inconcebível que um governo não assegure os direitos à saúde, educação, segurança social, alimentação, desenvolvimento, pagamento igualitário e direitos das crianças”, disse Raúl. “Somos contrários à manipulação política e a padrões duplos na abordagem de direitos civis”, afirmou o presidente cubano, que pediu a devolução a Cuba do “território ilegalmente ocupado” pela base militar norte-americana de Guantánamo.

Raúl Castro afirmou que espera “um novo tipo de relacionamento, um que nunca existiu antes” entre os dois países. “Destruir uma ponte pode ser de fácil e rápida execução. A sua sólida reconstrução pode ser um longo e difícil esforço”.

O presidente cubano encerrou o seu discurso mencionando a nadadora norte-americana Diana Nyad, que em 2013 e aos 64 anos, após diversas tentativas, conseguiu tornar-se a primeira pessoa a nadar de Cuba à Florida, num trajeto de cerca de 180 km, sem a ajuda de uma jaula para se proteger de tubarões. “Se ela conseguiu, nós também podemos conseguir”, afirmou Raúl.

Obama “guiado por um objetivo abrangente: avançar nos interesses do nosso continente”

No início da sua intervenção, Obama, que falou após o presidente cubano, alertou que faria um discurso longo. “Temos meio século de trabalhos para colocar em dia”, disse.

“O nosso crescente compromisso com Cuba é guiado por um objetivo abrangente: avançar nos interesses do nosso continente”, declarou Obama, afirmando que os Estados Unidos não têm interesse em ditar o futuro da ilha. “Cuba é soberana e, com razão, tem muito orgulho. O futuro de Cuba será decidido pelos cubanos e não por ninguém mais”.

Obama agradeceu as considerações de Raúl Castro sobre o acesso a direitos básicos nos EUA. “Nós damos as boas-vindas ao diálogo construtivo, porque acreditamos que podemos aprender e tornar a vida dos nossos povos melhor”, disse. “Estou muito satisfeito que concordamos em realizar o nosso próximo diálogo entre Cuba e EUA sobre direitos humanos em Cuba”.

“No século 21 os países não podem ser bem-sucedidos a não ser que os seus cidadãos tenham acesso à internet”, disse Obama ao pontuar que os EUA “desejam ajudar” a expandir a internet na ilha.

“Nós estamos a seguir em frente e não a olhar para trás. Não vemos Cuba como uma ameaça aos EUA”, afirmou. “Estou absolutamente seguro de que, se continuarmos nesse caminho, podemos atingir um futuro melhor e mais brilhante para os povos cubano e norte-americano. Muchas gracias”, encerrou o presidente dos EUA.

O processo de reaproximação diplomática e económica entre Havana e Washington já dura 15 meses e resultou na reabertura das embaixadas nos dois países em julho de 2015 e numa série de acordos firmados, como o que restabeleceu voos comerciais e um serviço postal direto. A viagem de Obama a Cuba, a primeira de um presidente norte-americano em 88 anos, foi anunciada no mês passado.

Por se tratar de uma lei, o bloqueio económico imposto pelos EUA a Cuba só pode ser alterado ou removido com a aprovação do Congresso norte-americano, cuja maioria republicana se opõe à medida.

Veja abaixo vídeo da conferência de imprensa de Raúl Castro e Obama

Maioria da população dos EUA apoia fim do bloqueio económico contra Cuba

A sondagem realizada pelo jornal norte-americano The New York Times e pela rede CBS News divulgada nesta segunda-feira concluiu que a população dos EUA está maioritariamente otimista com a retomada de relações entre Washington e Havana, anunciada em dezembro de 2014.

Entre os 1.022 adultos entrevistados pelo telefone entre 11 e 15 de março, 62% acreditam que a reaproximação será boa para os EUA e 55% apoiam o fim do bloqueio económico contra a ilha.

O estudo registou também a mudança na atitude em relação a Cuba entre os norte-americanos. Metade dos entrevistados disseram ter uma opinião positiva sobre a ilha caribenha, mais de 10 pontos percentuais acima da última sondagem, realizada no fim de 2014. Há dez anos, apenas 21% dos norte-americanos tinham opinião favorável sobre Cuba, e há 20 anos, esse índice ficava em 10%.

Artigo publicado em Opera Mundi

Declaraciones a la Prensa de los Presidentes Raúl Castro y Barack Obama

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