Vidas negras importam: morte num supermercado desencadeia protestos no Brasil

17 de February 2019 - 21:08

Na passada quinta-feira, um jovem negro foi morto por um segurança de supermercado no Rio de Janeiro. O acontecimento, filmado num vídeo amplamente difundido, gerou revolta. Este domingo ocorrem manifestações, ocupações simbólicas de supermercados da mesma rede sob o lema #vidasnegrasimportam.

PARTILHAR
Foto: Bento / Coletivo Papo Reto

Eric Garner, um homem negro norte-americano de 43 anos, foi morto em Nova Iorque em julho de 2014 por um polícia que o estrangulou enquanto o detinha. O único crime que se supunha ter cometido seria a venda de alguns cigarros avulso. O assassinato foi filmado e o seu grito “I can't breath”, não consigo respirar, tornou-se um dos gritos de revolta do movimento “black lives matter”.

Um vídeo filmado na passada quinta-feira no Brasil está a ter um efeito semelhante, tendo desencadeado, este domingo, manifestações em, pelo menos, cinco cidades (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife) e a ocupação simbólica de supermercados (em Fortaleza e Belo Horizonte). A hashtag #vidasnegrasimportam está a ser utilizada massivamente na divulgação do vídeo e das imagens dos protestos.

O vídeo em questão mostra um segurança do supermercado Extra na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Davi Amâncio, a aplicar uma “gravata” a Pedro Gonzaga, um jovem de 19 anos que acabaria por morrer de paragem cardo-respiratória. Na gravação que circula, ouve-se uma mulher a denunciar que ele está a ser sufocado.

Segundo o jornal brasileiro O Globo, Gonzaga era toxicodependente e estava nessa altura a ser levado pela mãe para uma clínica de reabilitação. Quando pararam para almoçar, o jovem terá descompensado, correndo e atirando-se ao chão com um ataque perto dos seguranças. Nessa altura, foi imobilizado de forma fatal.

O Atlas da Violência de 2018, produzido pelo governo brasileiro, revela que 71.5% das vítimas de assassinato neste país são negras ou mestiças. Estima-se que a cada 23 minutos um jovem negro seja assassinado no Brasil.

Precisava matar, perguntam os manifestantes. Ao mesmo tempo circula também a convocatória de um boicote ao supermercado Extra, que defendeu a ação do segurança alegando que Gonzaga teria tentado roubar a sua arma, está a ser também convocado.