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Vida ativa – A escolha é deles!

Foto de Paulete Matos

O IEFP tornou-se numa ferramenta poderosa deste projeto maior que é empobrecer, desvalorizar e ajudar a precarizar o trabalho em Portugal. Artigo de Margarida Janeiro

 

Preparar as pessoas para tarefas muito especificas e condicioná-las ao “mercado” de trabalho e às necessidades das empresas é um erro grosseiro já que aquele, sendo tão volátil, se se desintegra as deixa reféns das suas aprendizagens puramente técnicas e, no limite, desempregadas e com poucas alternativas.

Porém, propor formações sem adesão à realidade também não é o caminho.

Hoje fui convocada pelo IEFP para fazer parte de um curso de técnica de vendas. Duzentas horas com módulos de 50 cada, ministrados por técnicos da ACRAL – Associação de Comerciantes do Algarve.

Sabendo do número de falências que ocorrem no comércio, no País, e especificamente no distrito de Faro e tendo sido recentemente dispensada precisamente de uma loja, pergunto-me: quais os critérios que levam ao desenho destas propostas? Quem arquiteta esta oferta formativa? Com que objetivos?

O IEFP há muito que deixou de ser o garante de segurança para os desempregados, um meio através do qual se poderiam obter colocações, um instrumento de regulação entre a oferta e a procura. O IEFP tornou-se numa ferramenta poderosa deste projeto maior que é empobrecer, desvalorizar e ajudar a precarizar o trabalho em Portugal.

Os dados estão reunidos. Há uma enorme base onde constam habilitações, idades, competências, valores dos salários auferidos e, ao proporem indiscriminadamente formações de nível IV a bacharéis, licenciados, pós-graduados, os técnicos do IEFP mais não fazem do que nivelar por baixo, ignorando conceitos como carreira, investimento, progressão e background.

Se todos nos tornarmos técnicos de vendas, de mecânica, de novas tecnologias, baixarão as estatísticas, é certo, mas baixarão também os salários.

Neste desenho formativo proposto é sempre valorizado o que executa sem questionar. Há um défice enorme de humanismo mas também de Humanidades nestes currículos. Interpretar, analisar criticamente, organizar respostas, articular argumentos, investigar ou até mesmo conhecer história, sociologia, arte ou a própria língua não são preocupações presentes.

Porventura, isso acarretaria o risco de elevar os índices de educação cidadã que convoca ao conhecimento de valores como a liberdade, a liberdade de escolha, a simples liberdade de escolha do que se quer aprender.

Artigo de Margarida Janeiro, licenciada em jornalismo.

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