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Vereadores sublinham a “utilidade do Bloco nas autarquias”

No comício de Lisboa, Beatriz Gomes Dias (Lisboa), Deolinda Martin (Amadora), Carlos Patrão (Vila Franca de Xira) e Manuel Grilo (vereador em Lisboa), dos problemas dos seus concelhos, do trabalho que o Bloco tem feito e das alternativas que apresenta.
Comício do Bloco em Lisboa - Foto de Ana Mendes
Comício do Bloco em Lisboa - Foto de Ana Mendes

No comício do Bloco de Esquerda em Lisboa, intervieram Catarina Martins (ver notícia: Lisboa: Bloco quer impedir maioria absoluta para avançar onde o Partido Socialista travou), Beatriz Gomes Dias, Deolinda Martin, Carlos Patrão e Manuel Grilo.

Houve um momento musical com ÉME + MOXILA.

Manuel Grilo: “Direito a viver na cidade para todos e para todas”

O atual vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa, Manuel Grilo, afirmou a iniciar a sua intervenção: “Estamos aqui para afirmar a necessidade e a utilidade do Bloco nas Câmaras, nas Assembleias Municipais, nas Assembleias de Freguesia, para fazer a luta pela igualdade nos direitos, direito à habitação, à educação, à saúde, ao cuidado”.

Manuel Grilo - Foto de Ana Mendes
Manuel Grilo - Foto de Ana Mendes

Manuel Grilo sublinhou a defesa do “direito a viver na cidade para todos e para todas”, apontando que “Combatemos as cidades guetos e os guetos nas cidades”.

O atual vereador do Bloco na Câmara de Lisboa falou também, entre outros temas, de um “urbanismo responsável”, da “requalificação urbana, que garanta sempre o direito ao regresso dos que lá vivem”, das “políticas de mobilidade, que assegurem alternativas à dependência dos carros e que permitam responder às alterações climáticas”.

E abordou ainda a situação das pessoas sem-abrigo, “as pessoas que perderam tudo e são hoje os mais pobres dos pobres” e assinalou que “só com a força do Bloco foi possível hoje existirem nesta cidade de Lisboa duas salas de consumo assistido”, salientando que “estavam previstas na lei desde 2001, sem o Bloco na Câmara continuariam na lei, mas não havia coragem para as construir”.

Carlos Patrão: “Defendemos intervenção direta do município no mercado da habitação”

Carlos Patrão - Foto de Ana Mendes
Carlos Patrão - Foto de Ana Mendes

O vereador bloquista de Vila Franca de Xira referiu que este concelho “tem caraterísticas especiais e únicas no distrito”, destacando “a grande lezíria – uma área agrícola muito importante não só na região como no país”. “O Bloco defende que esta grande reserva agrícola do país, que está ameaçada, não só pelas alterações climáticas, porque em grande parte está abaixo da cota do rio Tejo, tem de ser defendida através de diques, que têm sido ameaçados e precisam de conservação. Carlos Patrão alertou que a especulação imobiliária é também uma ameaça da lezíria, “porque pretendem desenvolver projetos turísticos, na verdade imobiliários, tipo resorts”.

Sublinhando que as questões da habitação são importantes no concelho, Carlos Patrão afirmou que “os que querem os resorts, têm conseguido aprovar loteamentos de luxo na frente ribeirinha, onde as casas mais baratas custam um milhão de euros”.

“Grande parte destes terrenos são de domínio público marítimo e estão a ser apropriados por grandes grupos económicos, que fazem especulação imobiliária e provocam um aumento brutal do preço das casas e do preço dos arrendamentos no concelho”, denunciou o vereador do Bloco, frisando que Vila Franca de Xira é um concelho de trabalhadores, mas “onde o preço médio de uma habitação de 100 m2 é 800 euros por mês”.

“Defendemos uma intervenção direta do município no mercado da habitação. Deve exercer o direito de opção na zona de reabilitação, recuperar estas casas e metê-las no mercado a custos controlados”, afirmou, sublinhando em conclusão que “Vila Franca deve ser do povo e não deve ter donos”.

Deolinda Martin: “Por um concelho que promova a qualidade de emprego, com precariedade zero”

A vereadora do Bloco de Esquerda na Câmara da Amadora, Deolinda Martin, expôs as escolhas do dia 26 no seu concelho: se queremos “um concelho que promova a qualidade de emprego, com precariedade zero, com estabilidade e com direitos” ou se se pretende “atrair investimento assente na hipoteca do futuro de quem trabalha”.

Deolinda Martin - Foto de Ana Mendes
Deolinda Martin - Foto de Ana Mendes

A vereadora bloquista, expondo sempre as alternativas, defendeu “habitação municipal pública, reabilitando imóveis degradados, com parque municipal estabelecendo rendas de acordo com o rendimento das pessoas” ou continuar coma a especulação imobiliária, “em que as famílias se vejam cada vez mais sufocadas economicamente para poderem aceder a este primeiro direito”.

E, defendeu “um concelho em que poderemos abandonar a necessidade de carro”, com uma rede de transportes, progressivamente gratuitos.

A vereadora defendeu ainda, entre outras questões, mais médicos de família e creches públicas. Sobre o Ensino Superior, referiu que, em 2019, entraram 470 alunos da Amadora e 4.500 de Oeiras. Deolinda Martin apontou então da defesa de “educação que seja alavanca de superação de desigualdades sociais, de combate aos preconceitos sejam raciais, sexuais ou religiosos”. A concluir, pugnou por “uma cidade inclusiva, onse reflitam as várias culturas que a compõem, onde cada um e cada uma se sinta pertença dela, onde a solidariedade e a esperança substituam o estigma e o discurso do ódio”.

Beatriz Gomes Dias expõe as vitórias em Lisboa

A candidata do Bloco à Câmara de Lisboa expôs as vitórias conseguidas com o seu mandato no executivo municipal.

Beatriz Gomes Dias - Foto de Ana Mendes
Beatriz Gomes Dias - Foto de Ana Mendes

“Antes de entrarmos na Câmara o PS dizia que havia apenas 10 precários no município, um ano depois foi possível integrar mais de 1.000 pessoas nos quadros da autarquia. E têm “um contrato com direitos, como manda a lei e como dita o respeito pelos direitos de quem trabalha”. “A magnitude desta mudança não aconteceu em nenhuma outra autarquias”, frisou Beatriz Gomes Dias.

“Antes de termos o pelouro da educação, um terço das crianças das escolas de Lisboa comia em recipientes de plástico, com talheres e copos de plástico, com refeições que eram feitas semanas antes com ingredientes de baixa qualidade”, contou a candidata, frisando que, “com o Bloco no executivo municipal houve alteração radical das refeições escolares”. “Hoje, todas as crianças e jovens de Lisboa comem refeições de qualidade, feitas diariamente nas escolas e livres de plástico. Para além disso, garantimos refeições totalmente gratuitas a todos os alunos e a todas as alunas mais desfavorecidas do 1º ao 12º ano”, afirmou Beatriz Gomes Dias.

“Foi em Lisboa que provámos que era possível haver manuais gratuitos”, afirmou a candidato do Bloco, expondo que “há 4 anos, as famílias gastavam 200 ou 300 euros para comprar livros escolares”. “Com o acordo de Lisboa conseguimos retirar esse enorme fardo das famílias”, frisou, lembrando que “depois, os manuais escolares gratuitos estenderam-se a todo o país” e tal só foi possível, “porque provámos em Lisboa que era possível”.

Sobre as pessoas aem-abrigo, a candidata à CML afirmou que “abrimos mais de 380 vagas no programa Housing First” e, “com isso, provámos, que esse programa pode ser o primeiro passo de um novo projeto de vida”.

“Abrimos também portas que há muito estavam fechadas, quando abrimos salas de consumo vigiado, para ajudar as pessoas que consomem drogas”, apontou Beatriz Gomes Dias, salientando que “foi preciso um vereador do Bloco de Esquerda para retirar do papel uma peça central da estratégia para as pessoas que consomem drogas, que estava prevista há 20 anos”.

A candidata bloquista expôs também o “nosso legado pelo combate pela habitação”, apontando que “foi possível regular o alojamento local”, porque o Bloco inseriu no acordo com o PS, assim como “se garantiram os meios para começar a longa caminhada de reparação dos bairros municipais, que estão tão degradados e esquecidos”.

Beatriz Gomes Dias apontou então que “é na habitação a maior crise que Lisboa enfrenta, porque o PS mais falhou nestes últimos quatro anos”, criticando a insistência do PS nas PPP.

Votámos contra as parcerias públicas do PS na habitação, que teve o apoio de todos os partidos e só teve o voto contra do Bloco de Esquerda, porque defendemos que toda a construção nos terrenos públicos deve ser usada para responder à crise na habitação com rendas acessíveis”, afirmou Beatriz Dias.

E, apontou: “defendemos um programa de renda acessível 100% público, garantindo casas que as pessoas podem pagar com rendas que variam entre 150 a 800 euros, não ultrapassando 30% do rendimento das famílias. E, por isso, propomos a construção e a reabilitação que permita dispor de 10 mil casas a preços acessíveis durante este mandato”.

“Nas PPP, que a Câmara insiste em manter, o município cede gratuitamente a promotores imobiliários terrenos que valem milhões”, criticou a candidata bloquista à Câmara, sublinhando que “em 2017, o Bloco “impôs um programa 100% público, que foi o único que entregou casas a 1.200 famílias, casas que podem pagar”.

A concluir, Beatriz Gomes Dias afirmou que “o Bloco de Esquerda nunca fará maiorias com a direita” e assimiu o compromisso de que “os eleitos e as eleitas do Bloco de Esquerda são a garantia do compromisso com a habitação, com os transportes, com a igualdade, com a justiça social, com a resposta à emergência climática”

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