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"Ventura é um vigarista porque mentiu e continua a mentir aos portugueses"

No debate televisivo de quinta-feira, Marisa Matias acusou André Ventura de recorrer sistematicamente às minorias para pôr o país contra os mais fragilizados, mas nunca ter uma palavra sobre os que determinam o poder económico em Portugal.
Marisa Matias no debate com André Ventura.
Marisa Matias no debate com André Ventura.

O terceiro debate presidencial da candidata apoiada pelo Bloco pôs frente a frente Marisa Matias e André Ventura. No arranque, Marisa relembrou o recente episódio dramático que se viveu no Capitólio dos Estados Unidos, antecedido pelo discurso de incitamento à violência efetuado por Donald Trump. “A extrema direita é igual em todo o mundo e nós podemos ver o que aconteceu nos Estados Unidos”, afirmou Marisa, recordando que na noite das eleições norte-americanas, Ventura dizia que "se a vitória de Trump se confirmar, esta madrugada a democracia vencerá no mundo”.

Criticando a hipocrisia das afirmações de André Ventura quando diz que representa o português comum, Marisa Matias esclareceu que o programa do Chega prova o contrário ao propor, por exemplo, uma taxa única de IRS de 15%. Tal medida, para o português comum e para aqueles aqueles que têm salários baixos, representaria “um aumento dos seus impostos brutal”, prosseguiu Marisa. Em contrapartida, para “os que têm salários altos, os Jardim Gonçalves deste país” haveria “um abatimento de centenas de milhares de euros de impostos a cada ano e o candidato André Ventura deputado teria uma redução de metade dos impostos ao aplicar esta taxa de 15%.”

Marisa continuou e enumerou outras formas como o programa de Ventura não representa o português comum, antes o empobrece, como a proposta de venda das escolas ou de destruição do Serviço Nacional de Saúde. “O que seria deste país se nós não tivéssemos o Serviço Nacional de Saúde” em plena pandemia, ou “onde é que famílias deste país vão poder colocar os seus filhos a estudar”, questionou Marisa. Mais à frente no debate, comentou  a ironia de André Ventura iniciar a sua campanha ao lado de Marine Le Pen, “a mesma que quer proibir o ensino do português na escola pública em França”, bloqueando essa possibilidade aos filhos de tantos emigrantes portugueses em França.

Num debate marcado por constantes interrupções do candidato da extrema-direita, Marisa não deixou de acusar André Ventura de estar “sistematicamente a mentir ao eleitorado”, apelidando-o de "cobarde, troca-tintas e vigarista".

A candidata apoiada pelo Bloco relembrou ainda o trabalho que levou a cabo no Parlamento Europeu nas comissões de inquérito relacionais com a fraude e fuga fiscal e de “encontrar nesses documentos os documentos relativos ao gabinete para o qual [Ventura] trabalhou até há muito pouco tempo”. Já antes tinha recordado que Ventura é o único candidato na história das eleições presidenciais "que teve a Polícia Judiciária a fazer buscas no seu próprio gabinete e isso num caso que tem a ver com questões de corrupção e de financiamento ilícito dos partidos”.

Marisa Matias afirmou que não daria posse a um governo do qual o Chega fizesse parte, “a um governo que tenha um ministro que defende o segregacionismo de uma parte da população, que defende a discriminação de pessoas com base na sua cor de pele”, aludindo à Constituição da República Portuguesa que proíbe tais práticas. Para Marisa, Ventura é um “candidato que sistematicamente recorre às minorias, aos refugiados, aos ciganos, para pôr o país contra aqueles e aquelas que são mais fragilizados. É um cobarde que não tem um mínimo de pudor em não apontar o dedo a quem está no poder económico", mas "usa estas pessoas para tentar colocar o país contra eles” enquanto assume que se fosse eleito não seria o Presidente de todos os portugueses.

“Nós precisamos de ter uma posição humanista. Nós precisamos de olhar para as pessoas. Precisamos de responder àquilo que são as suas necessidades. Não usar estas pessoas como bode expiatório para criar divisões. Nós precisamos de ter uma resposta que perceba que há responsabilidades nossas também nas situações que estas pessoas atravessam”, concluiu Marisa.

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