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Valorsul: 100% de adesão à greve contra privatização da empresa

A adesão à greve dos trabalhadores na central da Valorsul, em Loures, é de cem por cento, indicou esta segunda-feira o sindicato, dia em que teve início uma jornada de luta de quatro dias contra a privatização da empresa. Bloco avisa que usará todos os meios legais para travar a privatização.
"Sempre nos opusemos à privatização. Apresentamos projetos de resolução e usaremos todos os meios legais ao nosso dispor, dentro da Assembleia da República, para travar esta privatização", sublinhou Mariana Mortágua à agência Lusa.

"Aqui em São João da Talha entraram só os trabalhadores que vão fazer os serviços mínimos, ou seja, cinco trabalhadores. O que quer dizer que os restantes trabalhadores paralisaram" disse à agência Lusa Navalha Garcia, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas.

O dirigente sindical falava minutos após as 00:00, hora a que começou a greve de quatro dias, assinalada com a concentração de cerca de uma centena de trabalhadores junto à entrada da empresa.

Navalha Garcia esclareceu que os cinco trabalhadores que entraram ao serviço na Valorsul apenas o fizeram "para proteger o equipamento", frisando que a adesão à greve na central de incineração de resíduos sólidos urbanos é de "cem por cento".

Os restantes trabalhadores da Valorsul só começam a laborar às 08:00.

"Só por volta das 09:00 é que a gente sabe qual é a reação dos trabalhadores em relação à greve. A nossa perspetiva, e é aquilo que nós sabemos, é que há uma grande disponibilidade dos trabalhadores para fazer uma grande jornada de luta nestes quatro dias", vincou.

O sindicalista acrescentou que, neste momento, a Valorsul pretende receber o lixo dos municípios, mas deixa um aviso.

"Sabemos que, pelo menos, o município de Loures e da Amadora, através dos seus presidentes, já declararam que não vão enviar viaturas para a Valorsul. Estamos à espera que a Câmara de Lisboa tenha o mesmo posicionamento. Se eventualmente a Câmara de Lisboa entender enviar os carros aqui para a central ou para o sanitário de Mato da Cruz (Alverca), iremos trabalhar com o piquete para que não entre nenhum carro na Valorsul", sublinhou o dirigente sindical.

Em relação aos restantes municípios abrangidos pela Valorsul, Navalha Garcia frisou que "há câmaras que vão recolher o lixo" e que, ou elas próprias "farão o armazenamento temporário do lixo, ou vão tentar manter os resíduos nas viaturas", até ao final da greve.

Privatização da Valorsul aumenta fatura a cobrar aos munícipes

"Se porventura se concretizasse [privatização] traria problemas graves, nomeadamente para a população. A partir do momento em que a iniciativa privada tomasse conta desta e de outras empresas de resíduos sólidos, naturalmente não iria prestar um serviço de caráter social, iria prestar um serviço para dar lucro. (…) Neste caso concreto aumentaria com certeza a fatura a cobrar aos munícipes da região de Lisboa", frisou à agência Lusa Arménio Carlos.

O secretário-geral da intersindical juntou-se aos cerca de cem trabalhadores da empresa que se concentraram à porta da central de incineração de resíduos sólidos urbanos.

"É uma greve que tem esta finalidade: defender os direitos daqueles que aqui trabalham, mas particularmente defender também o direito dos utentes, que neste caso concreto seriam prejudicados com a privatização desta empresa", sustentou Arménio Carlos.

O secretário-geral da CGTP lembrou ainda que a "esmagadora maioria" das Câmaras que enviam os resíduos para a Valorsul, "se manifestou contra a privatização e apoiou a ação de luta dos trabalhadores".

Os 19 presidentes de Câmara, cujo porta-voz neste processo é o autarca de Loures, Bernardino Soares, têm manifestado a sua oposição à privatização e na quinta-feira anunciaram que iriam exigir uma reunião com caráter de urgência com o ministro da tutela.

Os autarcas argumentam que a privatização da Valorsul vai precarizar a situação laboral dos 380 trabalhadores e fazer aumentar as tarifas de tratamento dos resíduos, assim como prejuízos ambientais.

Nesse sentido, os autarcas prometeram solidarizar-se com a luta dos trabalhadores e evitar enviar resíduos para a Valorsul durante os dias da greve, referindo que vão apelar às populações que tentem guardar a maior quantidade possível de lixo em casa.

Bloco usará todos os meios legais para travar a privatização da Valorsul

"Sempre nos opusemos à privatização. Apresentamos projetos de resolução e usaremos todos os meios legais ao nosso dispor, dentro da Assembleia da República, para travar esta privatização", sublinhou Mariana Mortágua à agência Lusa.

A deputada assegurou que o Bloco estará solidário e presente em todas as formas de luta dos trabalhadores, inclusive na rua, contra a privatização da Valorsul e na defesa dos seus direitos e da empresa que constroem.

"O Governo avança esta ideia de privatizar uma empresa que é eficiente, tem tecnologia e que dá lucro por meia dúzia de milhões de euros que em menos de uma década são devolvidos em dividendos aos seus acionistas privados. Obviamente achamos que esta privatização não tem nenhum sentido", sustentou Mariana Mortágua.

Em causa está a privatização de 100% da participação do Estado na Empresa Geral de Fomento, uma 'sub-holding' do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, da qual faz parte a Valorsul, situada no concelho de Loures e que serve 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

Numa carta enviada há dias aos 19 municípios, servidos pela Valorsul, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, informou que o caderno de encargos da privatização da EGF está concluído e deverá ser analisado até ao final deste mês.

A empresa de resíduos Valorsul serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.

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