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Valorização da Serra da Estrela "não pode continuar perdida no papel"

A concelhia bloquista da Guarda diz que o recente incêndio “tem revelado as fragilidades de um sistema que insiste em desprezar e desvalorizar quem trabalha para a proteção das populações, dos seus bens e da conservação da natureza”.
Incêndio na freguesia de Rapa, Celorico da Beira, Guarda, 13 de agosto de 2022. Foto de NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA.
Incêndio na freguesia de Rapa, Celorico da Beira, Guarda, 13 de agosto de 2022. Foto de NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA.

Em comunicado, o Bloco de Esquerda da Guarda considera que o incêndio que tem lavrado na Serra da Estrela na última semana causou uma “destruição de património irreparável” e uma “perda ambiental, social e económica incalculável”, lamentando que a possibilidade de algo deste género não se repetir recaia “sobre quem, mais uma vez tão provavelmente, optará por medidas insuficientes de mitigação e reparação, ignorando sistematicamente os danos causados à população que as/os elegeu”.

A estrutura local do partido sublinha que a Serra da Estrela é um património natural e cultural “excecional”, sendo lar de “espécies de fauna e flora raras e únicas”. Nela, “a par de um grande interesse paisagístico, ainda subsistem refúgios de vida selvagem e formações vegetais endémicas de importância nacional”. Para além da “qualidade dos recursos hídricos existentes, a constituição do solo e do coberto vegetal na área de glaciação, aliados a fatores de humanização, como o pastoreio de altitude” contribuem ainda para um quadro sem igual.

“A Serra da Estrela e os concelhos afetados pelos incêndios não podem esperar que estas valorizações continuem perdidas no papel. Precisam sim, que se façam escolhas práticas que tenham como consequência a sua proteção”, defende a concelhia bloquista.

"Sistema insiste em desprezar quem trabalha para a proteção das populações"

O Bloco de Esquerda da Guarda considera que este incêndio “tem revelado as fragilidades de um sistema que insiste em desprezar e desvalorizar quem trabalha para a proteção das populações, dos seus bens e da conservação da natureza”. Ao longo dos anos, os vários fogos têm, aliás, “dizimado boa parte da sua floresta, ameaçando a sobrevivência de várias espécies e colocando em risco aldeias e as/os seus habitantes”.

O partido trata de elencar várias falhas: “falhou uma real gestão florestal e prevenção de incêndios”, “falhou a política da desvalorização, dos baixos salários, da ausência de Carreiras e Estatutos Profissionais” no caso de bombeiros e sapadores florestais e “faltou apostar num corpo nacional de Guardas Florestais integrados no Instituto da Conservação da Natureza com condições para fiscalizar melhor as nossas florestas”, além de “uma política que sirva as pessoas: que saiba criar regulamentação mas também aplicá-la, integrá-la no quotidiano das populações e fiscalizá-la”.

Por isso, reforça-se “a importância de se tomarem medidas urgentes de monitorização e intervenção para a preservação das espécies de fauna e flora endémicas, impedindo que os espaços tomados pelo fogo o sejam agora por espécies invasoras, danificando uma vez mais a manutenção dos solos”. E “de se repensarem as condições laborais das equipas que atuam na gestão florestal e prevenção de incêndios, assim como as estratégias económicas continuamente apresentadas para estes territórios e que comportam alto impacto na biodiversidade, dando prioridade ao apoio para o desenvolvimento de atividades tradicionais que sustentam a vida e originalidade da região, a entidades dedicadas à defesa do meio”.

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