Utentes voltam a exigir abolição de portagens na Via do Infante

08 de December 2018 - 17:41

Num protesto em Loulé, a Comissão de Utentes da Via do Infante acusou o governo de ser responsável pelo agravamento da sinistralidade rodoviária na EN125, que não consideram alternativa à A22.

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Protesto em Loulé pela abolição das portagens da Via do Infante. Foto João Vasconcelos/Twitter

"Vamos chegar ao final do ano com mais de 10.000 acidentes no Algarve, pelo terceiro ano consecutivo, com muitos feridos graves e com muitos mortos", afirmou o porta-voz da Comissão e deputado do Bloco, João Vasconcelos. Os acidentes graves ocorrem principalmente na Estrada Nacional 125, que "não é uma alternativa credível", tal como a ferrovia, que também "está em rutura", acrescentou em declarações à agência Lusa.

O protesto deste sábado teve lugar na estrada em frente a uma loja da empresa que cobra as portagens na A22 e serviu também para lembrar o sentido de voto dos deputados do PS, PSD e CDS contra a abolição das portagens, cuja introdução há sete anos é considerada “um erro crasso”.

"Há deputados do PS e até do PSD que me vêm dizer: 'tem razão, nós somos contra as portagens pelo prejuízo que causa ao Algarve', mas quando chegam à Assembleia da República votam contra a eliminação de portagens. O que é que se passa aqui?", questionou João Vasconcelos.

Para o ativista e deputado bloquista, as Parcerias Público-Privadas rodoviárias são "o maior crime económico, financeiro e social que se pratica no Algarve e no país", uma vez que sai muito caro "ter concessionárias privadas a encher os bolsos às custas dos contribuintes”.

No caso da A22/Via do Infante, João Vasconcelos sublinha que a concessionária recebe 70 milhões de euros por ano: 40 milhões do Estado e 30 milhões das portagens, o que "é imoral e um crime". "São 1.500 milhões de euros que vão para as concessionárias do país, quando, segundo um estudo da Eurostat, o preço razoável a pagar seria 400 milhões, ou seja o Estado está a pagar mais 1.100 milhões do que aquilo que devia pagar", concluiu.