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Utentes e médicos juntam-se em defesa do Centro Hospitalar de Setúbal

Uma centena de pessoas manifestaram-se junto ao Hospital de São Bernardo para exigirem a reclassificação do Centro Hospitalar de Setúbal, mais investimento e o reforço de meios humanos.
 “Temos falta de equipamentos, como uma ressonância magnética e outros".
 “Temos falta de equipamentos, como uma ressonância magnética e outros". Foto via DGS.

A situação crítica de recursos humanos do Centro Hospitalar de Setúbal é bem conhecida e já levou à demissão do direito clínico, seguida pela demissão de 87 diretores de especialidades do hospital, uma atitude que contou com a solidariedade da grande maioria dos profissionais daquela unidade de saúde, bem como de utentes do próprio hospitalar que se manifestaram mais uma vez este sábado em Setúbal.

É o segundo protesto convocado por utentes do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) neste mês de outubro. O primeiro aconteceu a 12 de outubro e juntou mais de 300 pessoas, bem como o diretor clínico demissionário, Nuno Fachada, e outros médicos da unidade hospitalar.

No protesto deste sábado, os utentes do Hospital de São Bernardo exigiram a reclassificação do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS), mais investimento e o reforço de meios humanos em especialidades médicas daquela unidade de saúde.

 “Temos falta de equipamentos, como uma ressonância magnética e outros. Mas há aqui dois pontos fundamentais, prometidos há vários anos e que se mantêm, já com compromissos não cumpridos pela tutela”, disse Lusa Luís Cortez, diretor do serviço de Cirurgia do CHS, que engloba os hospitais de São Bernardo e do Outão.

“Um desses aspetos fundamentais é a reclassificação, a subida de nível do Centro Hospitalar de Setúbal. Há um compromisso do Ministério da Saúde assumido há três anos, pelo menos, mas depois nas negociações, nos contactos com o Ministério das Finanças, tudo fica sem resposta. E isto tem um impacto enorme, porque tem a ver com o financiamento do hospital e representava um acréscimo – se houvesse a subida de nível - de 11 milhões de euros” por ano, disse ainda.

O diretor de cirurgia salientou que “esses 11 milhões de euros permitiriam mais investimento do hospital, na aquisição dos equipamentos necessários para a prestação de cuidados de saúde às populações do litoral alentejano e dos concelhos de Palmela, Sesimbra e Setúbal”.

Outro aspeto fundamental é a ampliação do hospital, designadamente do serviço de urgência, que está “em discussão há quatro ou cinco anos”. “O projeto que nos foi apresentado previa a inclusão do Hospital do Outão no Hospital de São Bernardo, mas o projeto não permite essa inclusão”, disse.

“Quando se fala em ampliação, ela é necessária para o serviço de urgência, mas tem que se ver qual o tipo de projeto. Se é o projeto inicial, a situação vai piorar. Parecendo que vamos melhorar com a ampliação do hospital, corremos o risco de ficar pior”, considerou.

No manifesto dos médicos do CHS lido no protesto sábado pode ler-se: “Queremos trabalhar no SNS e não nos estão a deixar. Estamos com vocês, este alerta é por vocês e por todos nós, pessoas de Setúbal, de Sesimbra, de Palmela, Alcácer e todas as outras que nos procuram. Opomo-nos à perda de especialidades e competências. Batemo-nos para que o CHS seja reclassificado e promovido para um nível acima. Só assim poderemos aumentar o grau de diferenciação com especialidades necessárias, algumas ainda inexistentes. Só assim, o Hospital pode ser financiado pelo que faz e deixe de ser uma fonte de prejuízo, cada ano que passa”.

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