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UNICEF: insegurança alimentar afetou uma em cada quatro familias portuguesas com crianças

O relatório da Unicef apresentado esta semana estima que, no mundo inteiro, 688 milhões de crianças são afectadas pela insegurança alimentar.
Foto de Paulete Matos
Foto de Paulete Matos

A Unicef procurou avaliar como está a segurança alimentar das crianças à escala mundial. Em 147 países, nos 12 meses anteriores ao inquérito, houve momentos em que os agregados familiares não tiveram dinheiro suficiente para comprar comida para alimentar adequadamente as crianças. Na União Europeia esta taxa foi de 20%. Em Portugal é maior: 25%.

Entre os países europeus com menor valor do indicador da falta de condições económicas para alimentação estão Suécia (3,42%), Noruega (5,65%), Luxemburgo (5,99%), Alemanha (7,27%), Croácia (7,33%), Dinamarca (7,64%), Suíça (7,94%) e Finlândia (8,61%), os únicos que registam valores inferiores a 10%. A Espanha está bastante abaixo de Portugal com 13,17%.

No mesmo relatório, citado pelo Público, pode ler-se que em Portugal 2% das crianças, com idades entre 1 e 15 anos, não comem três refeições por dia e que o rácio de pobreza na população menor de 18 anos é de 18% (dados de 2009 retirados do relatório Estatísticas do rendimento e das condições de vida na União Europeia).

No mundo contabilizam-se 688 milhões de crianças menores de 15 anos que vivem num agregado familiar em que não houve dinheiro suficiente para comprar comida durante o ano anterior ao inquérito de 2014/2015.

Os países africanos apresentam maior percentagem neste indicador, sendo que na África Oriental e Meridional, o valor atinge os 66%. África Ocidental e Central registam 60% e o Corno de África 57%. No Médio Oriente e no Norte de África, a percentagem é inferior: 34%. A América Central fica nos 55%, a América do Sul nos 37% e a América do Norte nos 27%.

O Bloco de Esquerda apresentou, no passado mês de Maio de 2017, uma proposta para uma “estratégia nacional para a erradicação da pobreza infantil” em Portugal. Na altura, a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, falou da importância da “universalização do pequeno-almoço” em todas as escolas de ensino básico e secundário; a “gratuitidade das refeições em período de férias escolas para os 1º e 2º escalões ASE”; bem como o “controlo da qualidade e quantidade das refeições escolares”.

O plano apresentado pelo Bloco sustentou-se na necessidade do cumprimento da Convenção Internacional dos Direitos das Crianças, uma convenção da qual Portugal é subscritor e que “prevê o combate à pobreza infantil e a capacidade de auscultação das próprias crianças nas políticas públicas para as crianças e para os jovens.”

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