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Unicef: Crianças "vivem num mundo de desigualdades em crescimento"

A Unicef publicou esta segunda-feira uma análise das desigualdades entre crianças em países desenvolvidos entre 2008 e 2014. Portugal é dos países onde a desigualdade mais subiu.
Foto José Coelho/LUSA

O maior aumento do fosso entre rendimentos dos mais pobres e a mediana “foi registada na Estónia, Eslovénia e Espanha, bem como na Hungria e Portugal. Além disso, a parte do rendimento dos 10% mais ricos aumentou em dois terços nos países desenvolvidos”, avisa a Unicef. 

As conclusões são do Gabinete de Pesquisa Innocenti, organismo da Unicef, que publicou esta segunda-feira as conclusões agregadas de várias fontes de dados estatísticos organizados em dois indicadores principais aplicados especificamente a crianças: rácio de Palma e rendimento relativo. 

O rácio de Palma divide a riqueza dos 10% mais ricos e divide pela riqueza dos 40% mais pobres. Neste indicador, se o valor é igual a 1, ambos os pólos controlam sensivelmente a mesma riqueza no país. Valores acima de 1 significa que os 10% mais ricos controlam mais riqueza. Logo, valores inferiores a 1 correspondem a níveis de desigualdades mais baixos. 

O segundo indicador mede o fosso de rendimentos entre crianças nos escalões médios e o décimo percentil (crianças mais pobres).

Segundo a Unicef, entre 2008 e 2014, o rácio de Palma variou negativamente (-0,20), mas em 2014 Portugal continua longe da média europeia, apresentando um altíssimo valor de 1,4 em 2014. O caso piora no que respeita ao rendimento relativo, onde se assistiu a uma variação de quase 8%. 

“Crianças nos países desenvolvidos vivem num mundo de desigualdades em crescimento. A tendência de ambos os indicadores de desigualdade (rendimento relativo e rácio de Palma), demonstra um aumento das desigualdades económicas entre crianças”, afirmam. 

“Desde 2008, as crianças nos 10% de rendimento mais baixo ficaram ainda mais longe da mediana em 23 países”, conclui a Unicef.

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