You are here

A única forma de estarmos preparados para risco de epidemia é um SNS público forte

Catarina Martins encerrou o Encontro Nacional de Saúde do Bloco “Lei de Bases da Saúde. E agora?” este sábado. A coordenadora do Bloco sublinhou a necessidade de regulamentar a Lei de Bases e de executar o orçamento para além de mostrar como o SNS público é a única forma eficiente de responder a uma epidemia de um novo vírus.
Catarina Martins no Encontro Nacional de Saúde do Bloco. Fevereiro de 2020.
Catarina Martins no Encontro Nacional de Saúde do Bloco. Fevereiro de 2020. Foto de José Sena Goulão/Lusa.

Este sábado foi dia de Encontro Nacional sobre Saúde do Bloco. No encerramento da sessão intitulada “Lei de Bases da Saúde. E agora?”, Catarina Martins começou por justificar a prioridade que o partido atribui ao tema.

Para a coordenadora do Bloco, “o acesso à saúde é um pilar do desenvolvimento da economia e da própria democracia” e “é impossível ter uma estratégia para o país que não passe pela saúde”.

Para além disso, lembrou há condições específicas do SNS no país que fazem com que, apesar de “fragilizado” e “sob fortes ataques”, este continue “a ser reconhecido pela população portuguesa como um dos serviços de maior confiança”. Sendo nele que se confia “se houver um problema grave”. Por isso, esclarece, o Bloco de Esquerda não se engana e sabe de que lado está: “só o SNS público, universal, gratuito, com capacidade pode responder à população portuguesa”.

Em seguida, Catarina Martins realçou o que o Bloco fez para melhorar o orçamento do setor que é “o maior orçamento do Serviço Nacional de Saúde de sempre”, com “mais de onze mil milhões de euros”. Acrescentaram-se 180 milhões de euros “dedicados ao investimento em meios complementares de diagnóstico e terapêutica para internalizar serviços que têm estado externalizados e mal” e há um “compromisso de aumento de profissionais do SNS em dois anos em mais de oito mil”, não haverá cativações, será colocad “em marcha o programa nacional de saúde mental” e será levada “mais a sério a centralidade dos cuidados de saúde primários”. É preciso agora, “que tudo isto seja executado”, defende. E essa é uma das prioridades do “caderno de encargos” que leva desta reunião. Um trabalho que “extravasa o parlamento” e para o qual convidou os participantes deste encontro. Outra parte do mesmo caderno de encargos é a regulamentação da Lei de Bases que “só pode ser feita ouvindo quem constrói o SNS todos os dias e quem precisa do SNS todos os dias” para esse “esforço enorme” é precisa também a mobilização.

Dependemos de um Serviço Nacional de Saúde público e forte

A propósito da possibilidade de um surto do novo coronavírus no país, Catarina Martins desmontou os argumentos de quem diz que os defensores do SNS deixam “a ideologia ficar à frente do interesse das pessoas” porque não interessaria “se é público se é privado, o que interessa é que as pessoas tenham o melhor tratamento”.

A dirigente do Bloco garante que “aqueles que andaram a atacar sempre os hospitais públicos, a dizerem que não importa se é público se é privado, ou que os hospitais públicos devem ser privatizados, quando o país se prepara para um epidemia não vão exigir nada aos hospitais privados”. Ao passo que tudo vai ser exigido aos hospitais públicos. Assim, “se alguém precisava de uma prova, de que precisamos sim de um SNS público forte, ela aqui está, porque é de quem dependemos.”

A porta-voz do partido lembrou ainda a informação da DECO de que “os seguros de saúde não cobrem as despesas de uma epidemia, de um vírus novo”. Também os hospitais privados “sabem os vírus novos não fazem parte da contratualização”. Por isso, é o Serviço Nacional de Saúde “que terá sempre de estar preparado para todas as circunstâncias, para tudo o que possa acontecer”.

Catarina Martins louvou ainda a “enorme serenidade” dos profissionais de saúde do nosso país e da direção-geral de saúde que têm dado “informação importante a toda a população sobre o que se está a passar”. É preciso em troca “a exigência de lhe darmos todos os meios que o SNS precisa para responder sempre da melhor forma”.

A saúde é precisa no Fórum das Lutas

A coordenadora do Bloco salientou ainda que a saúde implica mais do que as questões anteriormente abordadas, lembrando várias das intervenções ocorridos ao longo do fórum. Somam-se-lhe questões como as direitos dos profissionais, do bem-estar, da eficiência energética, dos direitos dos doentes crónicos, entre muitas outras.

Por último, salientou que este é o momento “em que é preciso pensar qual é a estratégia para o país”. O que é preciso fazer com “quem nos ensina mais”, ou seja, “quem tem estado envolvido nas lutas concretas pelos serviços públicos, pelos direitos de trabalho, pelo direito ao espaço público, ao bens comuns, pelo ambiente”. Apelou assim ao fórum das lutas que o partido organizará a 16 de maior, “um fórum em que as várias lutas se possam juntar... para uma estratégia mais vasta, de reforço da nossa democracia, da nossa economia, do nosso país”. Para ele estarão convidados os “ativistas da democracia” pelo que a “presença de quem sabe de saúde é fundamental porque em torno da saúde se articulam alguns dos combates mais importantes deste país e da nossa democracia”.

Termos relacionados Política
(...)