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“Uma enorme vitória para o movimento SOS Cabedelo”

Um estudo da Agência Portuguesa de Ambiente reconheceu aquilo que o movimento de cidadãos já sabia: a solução para a foz do Mondego passa por um sistema fixo de transposição de areias que combata a erosão. Na Figueira da Foz, Catarina Martins saudou a vitória de quem luta há dez anos por esta proposta.
Foto de uma ação do movimento SOS Cabedelo.
Foto de uma ação do movimento SOS Cabedelo.

Catarina Martins considerou esta sexta-feira que o reconhecimento da necessidade de um “bypass de areias” na Figueira da Foz, onde se encontrava, foi “uma enorme vitória de um movimento SOS Cabedelo”.

A coordenadora do Bloco salienta que este foi “o único partido que os apoiou ao longo dos anos e que fez proposta”. Contudo, apesar de “compromisso do estudo”, vinca que “precisamos rapidamente de passar à parte da execução porque este é um problema que tem muitos anos, demorou muitos anos a ser reconhecido e precisamos ser bem mais rápidos a executar o projeto”.

Também em resposta a este reconhecimento, José Manuel Pureza tinha saudado a decisão como “resultado de uma luta tenaz do Movimento SOS Cabedelo, com o apoio do Bloco de Esquerda”. O deputado recordou que enquanto para as próximas eleições na Figueira da Foz “os media apostam num concurso de "Mister Músculo" entre o PSD 1 (Pedro Machado), o PSD 2 (Santana Lopes) e o PS (Carlos Monteiro)”, o que “vai marcar a vida da Figueira nos próximos anos vai ser a construção do bypass de areias de Norte para Sul, que nenhum deles quis”.

Momento de viragem”

Ambos se referem às conclusões do estudo encomendado pela Agência Portuguesa do Ambiente, apresentadas na passada quinta-feira, que foram no sentido de defender a instalação um sistema fixo de transposição de areias do norte da foz do Mondego, onde se estão a acumular, para as praias a sul, onde a erosão faz com que faltem. Esta solução, conhecida como bypass fixo, é preconizada assim pelos autores do estudo, da Universidade de Aveiro e de uma empresa de engenharia, como a melhor para a costa da região, tornando “possível anular o efeito erosivo que se regista entre a Figueira da Foz e a Leirosa”.

O mesmo já defendia desde 2011 o movimento SOS Cabedelo. Um dos seus responsáveis, o arquiteto Miguel Figueira, ao jornal Público, considerou a decisão “um grande momento de viragem”. Lembra que “há dez anos, quando iniciámos este processo, estávamos noutro paradigma de proteção costeira, a atirar pedras e betão ao mar e a tomá-lo como inimigo”. Com esta solução estar-se-á, pelo contrário, a “incorporar o mar como parte da solução e trabalhar com a natureza”.

Apesar disso, critica a lentidão do processo “porque, a cada dia que passa, a urgência agrava-se”. “Precisámos deste tempo todo para mudar o paradigma. Agora queremos saber como se vai operacionalizar e fazer chegar as soluções ao terreno”, sublinha.

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