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Uma "enorme transformação" na mobilidade para que o transporte público passe a ser regra

Catarina Martins expôs numa viagem de comboio entre Faro e Lisboa o plano ferroviário e outras propostas do Bloco para uma "enorme transformação" na mobilidade. Objetivo é que o transporte público passe a ser regra, o carro a exceção.
Catarina Martins em viagem de comboio Faro-Lisboa, 26 de setembro de 2019. Foto: Paula Nunes.
Foto: Paula Nunes.

Durante uma viagem de comboio entre Faro e Lisboa, Catarina Martins apresentou aos jornalistas a política de transportes do e declarou que o objetivo é uma "enorme transformação" da mobilidade do país, para que a ferrovia passe a ser a regra e o carro a exceção. Desse modo, é possível combater a crise climática sem esquecer as pessoas, o emprego e a coesão do território.

Atualmente, mesmo nas áreas metropolitanas com mais oferta de transporte público, 70% das pessoas usam carro individual, constatou a coordenadora do Bloco. Fora das áreas metropolitanas, só 5% dos passageiros e mercadorias circulam na ferrovia. As propostas do Bloco, explicou, pretendem que "no centro das cidades o carro individual deixe de ser necessário, e em todo o país a ferrovia passe a absorver 40% do transporte de passageiros e mercadorias". Todas as capitais de distrito deverão voltar e estar ligadas por ferrovia, para que o interior não seja apenas "um corredor entre os portos e Espanha". O objetivo é uma "enorme transformação na mobilidade do país", em que a ferrovia "passe a ser uma opção normal". Dessa forma, explicou, ganha-se não só no ambiente, no ordenamento do território, na balança comercial do país, como também se aumenta a qualidade de vida e o rendimento disponível das famílias, pois "os transportes coletivos são mais baratos que o carro individual"

Os passes de transporte mais baratos introduzidos em 2019 foram um primeiro "passo importantíssimo" nesse sentido, pois antes "os passes eram tão caros que para muitas famílias compensava o carro". Aprovou-se também com o governo algum investimento para recuperar o material circulante, que se deverá notar nos próximos anos, pois "não há comboios à venda nos supermercados" e o investimento nesta área leva tempo. Este investimento deve reforçar-se nos próximos anos, para que os passes mais baratos não signifiquem transportes sobre-lotados e menos qualidade de serviço.

Mas para Catarina Martins é preciso ir muito mais além, com um plano de investimento a vários anos. O plano do Bloco, explicou, prevê investimentos de 800 milhões de euros por ano até 2040, em boa parte comparticipados a nível europeu, num esforço que custa "menos que o que pomos a cada ano no Novo Banco". Esse investimento visa também recuperar capacidade industrial para o país na produção de equipamento, em vez de comprar tudo ao exterior, o que "cria muito emprego e permite reindustrialização do país".

Questionada sobre a oposição no passado do PS e da direita ao plano ferroviário do Bloco, Catarina Martins contrapôs que "há cada vez mais gente a perceber que não basta dizer que estamos muito preocupados com o clima e o ambiente", A maioria social que já existe para responder à crise climática deve tornar-se uma maioria política, afirmou. Os outros partidos dizem que estão preocupados, ironizou, já o Bloco apresenta uma estratégia de resposta "sem esquecer as pessoas, a criação de emprego, o direito à mobilidade a preços justos". A ferrovia, explicou, é uma forma de responder à crise climática "socialmente justa e economicamente equilibrada", porque "faz bem à balança comercial, à qualidade de vida das pessoas, e poupa salário e pensão ao fim do mês".

O equilíbrio e coesão entre litoral e interior foi outro ponto forte das declarações de Catarina Martins. Em resposta a uma questão sobre se haveria passageiros suficientes no interior para justificar o investimento, Catarina retorquiu que de cada vez que se fechou serviços públicos no interior, com o argumento de que uma zona estava despovoada, só se despovoou mais. "É o que se tem feito no interior. Não podemos dizer que achamos mal um país despovoado, e depois encerrar serviços públicos dizendo que mora lá pouca gente", argumentou.

O Bloco, contrapôs, tem um outro projeto para o país que "não passa por fechar o interior" mas por garantir mais mobilidade em todo o país, ligando todas os distritos por ferrovia e construindo mais linhas de metro e ferrovia ligeira nas áreas metropolitanas. Lembrou também a necessidade de resolver situações como o sistema de mobilidade do Mondego, onde acabou o comboio e nunca se cumpriu a promessa de um metro; ou do Algarve, onde a ferrovia é muito insuficiente.

Também nos passes é preciso mais equilíbrio entre áreas metropolitanas e interior, considerou Catarina Martins. A descida dos passes foi uma medida muito importante, mas o financiamento por passageiro é muito maior nas áreas metropolitanas que no resto do país. A proposta do Bloco nesse ponto é um equilíbrio e solidariedade maior entre cidades e interior.

Em suma, concluiu a coordenadora do Bloco, os transportes coletivos devem passar ser "o transporte habitual de toda a gente: queremos que o carro individual passe a ser a exceção".

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