A maior fatia de vagas por ocupar encontra-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, com 15 vagas. É ainda nesta zona que há mais utentes sem médico de família – mais de meio milhão. De acordo com o JN, Rui Nogueira, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, considera que a quantidade de especialistas colocados era “expectável”, uma vez que pouco mais de 90 médicos terminaram em novembro a especialidade em Medicina Geral e Familiar. O número de vagas, considera, foi superior porque o Ministério da Saúde pretendia atrair especialistas a exercer fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que não está a acontecer.
O médico considera ainda que o problema são as vagas que ficam sistematicamente por preencher, o que tem acontecido nas regiões do Algarve e do Alentejo e em algumas zonas de Lisboa.
Em Setúbal, os dois lugares a concurso no Centro de Saúde São Sebastião ficaram por preencher, da mesma forma que, no concurso anterior, ficaram livres as nove posições ali oferecidas. Rui Nogueira considera que a solução poderia passar pela abertura de concursos específicos para as zonas com maior dificuldade em recrutar profissionais.
Já João Proença, presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), e ainda de acordo com o JN, afirma que “a motivação não é só económica”, já que a falta de condições de trabalho, organização, formação e progressão na carreira “faz com que as pessoas pensem três ou quatro vezes” antes de se candidatarem.
No seu entender, a falta de médicos nos centros de saúde faz com que os utentes acabem por ter de recorrer às urgências dos hospitais.