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"Um partido que é um movimento"

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, esteve presente no passado dia 6 de agosto, no parque de Campismo de São Gião, onde se realizou a 13º edição do acampamento de Jovens do Bloco “Liberdade,” a debater o tema “Um partido que é um movimento”.

“Um partido é um instrumento valioso para a transformação que queremos fazer no mundo em que vivemos” – foi através deste mote que a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, deu o pontapé de saída para uma conversa que visou essencialmente a profundidade das transformações das lutas ao longo do tempo e a dificuldade em efetivar essas mesmas lutas no terreno.

Catarina Martins resumiu brevemente a história da composição do Bloco de Esquerda, da junção das esquerdas radicais e do ativismo necessário naquela época de transição de milénio. Assim sendo, assinalou que, aquando a formação do Bloco, os militantes nunca deixaram de fazer ativismo nos seus núcleos - a luta contra a NATO, movimentos feministas, ecologistas, precários. Concluiu esta primeira intervenção dizendo que “o Bloco é um instrumento das pessoas que não se resignam à ideia que o futuro está desenhado, fazemos pela transformação, se apenas esperarmos, as coisas não acontecem.”

Seguidamente, apontou dois problemas que urgem ser combatidos: a profundidade das transformações sociais, que, em alguns momentos, deram algumas derrotas pesadas à esquerda, e a precariedade.

Sobre as derrotas da esquerda, o exemplo dado e que Catarina considera que necessita de ser uma lição e uma batalha para o futuro, foi a perda de força e o quase desaparecimento do Movimento Estudantil. As causas apontadas para este fracasso passam pela praxe fascizante, o aumento das propinas que retirou o acesso ao ensino superior a milhares de jovens, e o processo de Bolonha que encurta os anos que os estudantes passam na faculdade. Sublinhou o facto de, nos últimos quatro anos, terem entrado cada vez menos alunos no ensino superior e, contrariamente ao que vulgarmente se argumenta, isto não acontece pela falta de alunos, mas sim por termos estado mergulhados numa crise económico-financeira que levou à elitização do ensino. Concluiu que é então necessário luta estudantil que deverá começar no ensino secundário onde se deve difundir o ideal que o acesso à escola é saber que o conhecimento é de todos e deve chegar a todos.

Sobre a precariedade, Catarina afirmou que esta palavra entrou no dicionário dos portugueses através do Bloco de Esquerda e que esta forma de viver é um instrumento de chantagem e de desagregação da democracia. A resolução deste problema social, aos olhos de Catarina, passa por reinventar o sindicalismo e inverter a regra da precariedade onde o medo é rei e forma de viver.

Por fim, a “Geringonça” foi também tema de debate. Catarina Martins adiantou que a formação do apoio parlamentar ao Governo do PS foi um trabalho difícil de negociação, com o objetivo de retirar PSD e CDS da governação e de travar o processo de empobrecimento e de destruição das estruturas sociais do país.

“É isto transformador?” Questiona retoricamente. A resposta não tardou - “Não”. O objetivo do Bloco de Esquerda é a luta por todos os direitos para uma vida digna e é por isso que, mesmo que esta legislatura não seja o objetivo final do Bloco, é uma das formas do partido conseguir fazer a diferença na vida das pessoas. Catarina considera ainda que, deste modo, a ação do partido não se mede unicamente pelas legislaturas e que “a luta social tem de continuar cá fora, ficar à espera nunca é uma boa ideia em democracia"

"A democracia e a transformação não acontecem se ficarmos parados, temos de fazer mais", vincou.

Terminou abrindo o debate e deixando bem claro que “um partido tem de ser um instrumento da luta e nunca um fim de uma luta”. 

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