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Um milhão de assinaturas pela eutanásia em Espanha

Maribel Tellaetxe e Luis de Marcos pediram aos familiares para morrer nas condições que julgaram dignas. Ángel Hernández ajudou a mulher a beber o líquido fatal. O médico Marcos Ariel Hourmann ajudou uma paciente a morrer. Inspiraram a recolha de mais de um milhão de assinaturas pela eutanásia em Espanha.
Manifestação a favor do direito à eutanásia em Espanha. Foto Asociacion Derecha a Morir Dignamente. Twitter.
Manifestação a favor do direito à eutanásia em Espanha. Foto Asociacion Derecha a Morir Dignamente. Twitter.

Maribel Tellaetxe sofria de alzheimer e tinha pedido à família para ser eutanasiada quando já não tivesse autonomia e não se lembrasse sequer dos nomes dos seus filhos. A família não conseguiu cumprir esta sua vontade. Mas lançou uma petição na plataforma change.org para legalizar a eutanásia.

Luis de Marcos sofria de esclerose múltipla. Também pediu para morrer como considerava mais digno por estar com dores terríveis. Escreveu: “as leis atuais obrigam-me a passar um calvário que não quero, nem posso aguentar, já que não me permitem aceder à eutanásia que é o único que me pode tirar da tortura que estou a viver”. A família também não conseguiu fazer cumprir a sua vontade. Neste caso foi o próprio que lançou uma petição online antes de morrer.

Outros escolheram desobedecer à lei. Ángel Hernández ajudou a sua mulher, María José Carrasco, doente de esclerose múltipla há trinta anos. Agora está a ser investigado num juízo de violência doméstica por homicídio.

O médico Marcos Ariel Hourmann foi condenado a um ano de prisão e outro de inabilitação por injetar cloreto de potássio a uma doente terminal. Defende que “não tem nenhum sentido que alguém viva um segundo mais se a sua doença é irreversível, sofre de uma grande dor e quer acabar com a sua vida.”

São estas as pessoas que, depois do famoso caso de Ramón Sampedro, fizeram regressar o debate sobre a questão da morte assistida a Espanha. Juntos, os três abaixo-assinados que desencadearam alcançaram 1.073.000 de assinaturas em defesa da despenalização da eutanásia. Familiares de Luis de Marcos e Maribel Tellaetxe fizeram questão de estar presentes no ato de entrega destas assinaturas.

“Se a tivesse deixado sofrer, teria sido um torturador”, diz Ángel Hernández

De entre os vários casos, o que está pendente na justiça é o de Ángel Hernández. Arrisca dez anos de prisão. Hernández diz que fez o que fez “por amor”. Cumpriu a promessa que tinha feito à sua mulher de que lhe daria à boca pentobarbital de sódio para ela sorver num “ato de liberdade”.

Gerou também indignação o facto do caso ter sido remetido para um tribunal que julga agressões machistas. Só o abaixo-assinado referente ao seu processo já juntou mais de 600 mil assinaturas.

A lei orgânica de regulação da eutanásia, apresentada pelo PSOE na anterior legislatura, ficou a meio dos trâmites necessários para acabar com a responsabilização legal de quem ajude a morrer de forma segura, pacífica e sem dor uma pessoa que o peça de forma livre, expressa e inequívoca. Com a exceção do PP que votou contra e do Ciudadanos que se absteve, todos os outros partidos apoiaram a lei. Por isso, na altura da apresentação das assinaturas, Hourmann criticou os políticos que se esqueceram da necessidade da regulamentação desta lei.

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