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“A UE usa dois pesos e duas medidas”

Zuraida Soares afirmou esta terça-feira que o poder de Bruxelas só "privilegia os grandes países" pelo que só nos resta "desobedecer" à União Europeia para defender a soberania do país e da região.

No debate realizado esta terça-feira na RTP/Açores com Aníbal Pires, da CDU, a candidata bloquista às eleições regionais de outubro começou por se referir à necessidade de alterar as políticas atuais para responder à situação difícil em que se encontra o setor pecuário, nomeadamente o do leite.

Para a candidata, há “muita lavoura e pouca agricultura”e não há só “um problema de escoamento, existe também um problema de produção”.

“Já todos sabíamos pelo menos há cinco anos que as quotas leiteiras iam acabar”, afirmou, tendo acrescentado que “esse facto não impediu que os sucessivos governos da região continuassem a apelar à produção intensiva de leite em vez de preparar a nossa lavoura para uma produção extensiva”.

Para a candidata do Bloco, a aposta terá de ser feita pela pela "diferenciação da qualidade", assente numa produção que baixe os custos de produção e também na melhoria nos caminhos, do fornecimento de água e na eletrificação.

“Este atraso em relação ao que deveria ter sido feito e não foi levou a que os nossos lavradores tivessem entrado em dificuldades o que fez aumentar de forma significativa o número de falências”, sublinhou.

Perante este cenário, Zuraida Soares advoga a regulação dos mercados porque a desregulação “só serve os grandes produtores, os grandes países penalizando as regiões ultraperiféricas”.

“Precisamos de promover a produção extensiva acompanhada de políticas de incentivos à indústria para a inovação dos produtos”, referiu.

Zuraida Soares frisou a necessidade de prestar um “maior apoio técnico” às explorações porque “os lavradores queixam-se de que estão muito sozinhos”.

A dirigente bloquista defendeu ainda uma economia "assente no mar" que passa pela construção de um novo centro de investigação que possibilite fazer deste o motor da economia dos Açores.

Rentabilizar o mar

“Não podemos falar só de aquacultura como fez o candidato do Partido Socialista, Vasco Cordeiro”, referiu Zuraida Soares para quem a economia do mar tem de assentar igualmente nos “portos, nas marinas na pesca profissional e lúdica”.

“O que propomos é que a nossa imensa zona económica exclusiva seja rentabilizada também do ponto de vista do conhecimento e não só da pesca”, defendeu.

De acordo com a candidata, esta riqueza permite o desenvolvimento de uma tecnologia de ponta que permite “apostar na biotecnologia, na cosmética, na farmácia e na saúde”.

A dirigente do Bloco Açores criticou ainda a possibilidade dessa exploração vir a ser feita por empresas estrangeiras que segundo disse vão “delapidar as nossas riquezas” devido às imposições de Bruxelas.

No que diz respeito aos transportes aéreos, Zuraida Soares desmistificou a falácia relacionada com as companhias low cost que começaram a voar para os Açores tendo afirmado que “tal aconteceu porque há quem lhes pague contrapartidas chorudas”.

Se não fosse assim essas companhias não teriam vindo porque o espaço aéreo está liberalizado desde 2004 e elas só chegaram aqui depois de “terem obtido garantias de que iam receber contrapartidas”.

Zuraida Soares reafirmou a necessidade de “apostar” na SATA, a nossa companhia de bandeira “salvaguardando também os mais de mil postos de trabalho que a empresa assegura”.

E deixou uma interrogação: “No dia em que as low cost deixarem de voar para os Açores por deixarem de ganhar dinheiro nesta região como é que vai ser a nossa vida"?

E avançou que é preciso garantir o direito à mobilidade de todos os aqueles que vivem no arquipélago.

 

 

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