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“UE não está a responder aos problemas estruturantes nem aos problemas das pessoas”

Marisa Matias afirmou na TVI que "não há outra forma de estar na União Europeia (UE) sem ser de uma forma crítica”, criticou a falta de resposta à crise humanitária e lembrou propostas suas, nomeadamente a proteção aos desempregados usada para as trabalhadoras da Triumph.
"Sou eurocrítica, não eurocética", afirmou Marisa Matias na TVI
"Sou eurocrítica, não eurocética", afirmou Marisa Matias na TVI

Nesta terça-feira à noite, Marisa Matias foi entrevistada na TVI por José Carlos Araújo, Manuela Ferreira Leite, Constança Cunha e Sá e António Costa.

Na entrevista, Marisa Matias defendeu uma posição crítica face à União Europeia (UE), apontou “sou eurocrítica, não eurocética” e acusou: “A UE não está a responder a nenhum dos seus problemas estruturantes, nem está a responder aos problemas concretos das pessoas”.

Sobre a chamada “crise política”, a eurodeputada bloquista disse “não tenho vontade em chamar-lhe crise, creio que é uma crise que foi criada”, considerou que o Bloco “tem que ter a responsabilidade de garantir a estabilidade daquilo que foi a solução governativa encontrada”, lembrou que o Bloco de Esquerda “votou quatro orçamentos com este Governo”, não concordando com tudo, nomeadamente no caso do BANIF.

Marisa Matias sublinhou que “nada pode justificar” a criação de um clima de instabilidade “apenas pela ambição de uma maioria absoluta”, defendeu que a “geringonça” tem muito a fazer até outubro, citando a lei de bases da saúde, o trabalho noturno e por turnos, as carreiras especiais, “que incluem oficiais de justiça e forças de segurança”. “Futuro da geringonça é até 6 de outubro fechar o que está por fechar”, frisou.

Comissão Europeia não queria que se aumentasse salário mínimo”

Sobre o trabalho realizado no Parlamento Europeu, Marisa Matias salientou que não se limitou a uma posição crítica face à UE e à Comissão Europeia e teve uma intervenção propositiva.

Citou a propósito:

  • “a proteção aos desempregados e desempregadas em processos de deslocalização”, usada pelas trabalhadoras da Triumph;
  • a diretiva de combate aos medicamentos falsificados, “incluindo medicamentos como insulina ou quimioterapia”. “Fui eu que negociei, durante mais de 2 anos”, referiu;
  • a estratégia europeia de combate ao Alzheimer e às demências;
  • questões relacionadas com igualdade de género na política fiscal;
  • membro da comissão de economia e finanças e coordenadora do seu grupo nessa comissão, Marisa Matias sublinhou o seu voto contra a ameaça de sanções a Portugal.
  • Marisa recordou que propôs no PE, e foi aprovada, a rejeição da integração do tratado orçamental no direito comunitário
Marisa recordou que propôs no PE, e foi aprovada, a rejeição da integração do tratado orçamental no direito comunitário.

Recordou também que, quando foi discutida a integração do tratado orçamental no direito comunitário, apresentou “uma moção de rejeição a essa integração”, que acabou por ser aprovada.

Questionada se considerava “estarmos melhor hoje do que em 2011”, Marisa Matias destacou a melhoria em Portugal, mas não na UE e frisou que “se seguíssemos o que a Comissão Europeia queria não podia haver esta solução governativa”.

Lembrou a ameaça de rejeição do orçamento, que “a Comissão Europeia não queria que se aumentasse o salário mínimo” e sublinhou que, em relação à UE e à Comissão Europeia “se podia ter ido mais longe”, nomeadamente na confrontação no caso do BANIF.

Marisa Matias falou ainda do “grande preço” que Portugal pagou na crise: “foi um programa de ajustamento brutal de empobrecimento, em que as pessoas sentiram na pele o que foram os cortes nos salários, nas pensões, o desemprego, 500 mil pessoas a emigrarem”, apenas num ano. “Com esta solução governativa, começou a inverter-se a situação, por isso estamos melhor”, afirmou, salientando que não se trata de uma questão de opinião, mas de uma questão factual.

Combate à evasão fiscal e às alterações climáticas

A eurodeputada apontou que, “entre 2000 e 2018, a lógica foi sempre a redução da taxação das grandes empresas e das multinacionais”, que na UE existem paraísos fiscais “que permitem que haja 100.000 milhões de euros por ano que ficam imunes a ter que pagar impostos nos países onde geram os seus lucros”.

“100.000 milhões de euros equivalem a 7 orçamentos”, realçou, salientando a necessidade de combate à fraude e evasão fiscal, e de cooperação europeia para esse combate.

Marisa Matias defendeu ainda a redução das emissões numa política de combate às alterações climáticas, medidas que “seriam mecanismos fundamentais para a criação de emprego, para a redução dos desequilíbrios macroeconómicos”.

UE não soube dar resposta aos problemas concretos das pessoas”

Apontando que, a nível europeu, só existem quatro países “que não têm extrema-direita” (Portugal, Luxemburgo, Irlanda e Malta) e que “há 10 países com extrema direita nos governos”, Marisa Matias afirmou que a “UE não soube dar resposta aos problemas concretos das pessoas” numa situação de crise e apontou que, além disso, “também houve naturalização do discurso da extrema-direita”.

A eurodeputada bloquista criticou ainda a falsa ideia que se criou na Europa de que a crise humanitária era uma “invasão de refugiados”, sublinhando que “as forças democráticas que têm responsabilidade de defender valores democráticos alimentaram juntamente com as forças de extrema-direita a ideia de que estamos a ser invadidos”. E lembrou que, “por duas vezes”, apresentou “propostas no PE para terminar com a venda de armas aos territórios em conflito”, propostas que foram rejeitadas.

 

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