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A Uber Eats despediu 2.500 estafetas sem-papéis em França

Este sábado cerca de mil estafetas estiveram nas ruas de Paris em protesto. As contas na aplicação da multinacional de distribuição de refeição foram “desconectadas” devido à sua situação irregular. Muitos trabalhavam há anos para a empresa.
Estafetas despedidos da Uber Eats nas ruas de Paris. Foto de Clap75/Twitter.
Estafetas despedidos da Uber Eats nas ruas de Paris. Foto de Clap75/Twitter.

Trabalharam durante vários anos e garantiram o serviço durante toda a pandemia para só agora que o negócio está a decrescer a Uber Eats exclui-los da sua plataforma como “contas fraudulentas”. 2.500 estafetas desta empresa, migrantes sem-papéis, sobretudo de origem africana, viram-se assim de um dia para o outro sem ganha-pão.

A Uber Eats garante que foram informados da razão e que lhes deu possibilidade de “recurso”. Os estafetas reconhecem que há trabalhadores sem-papéis que recorrem a documentos de outras pessoas para abrir uma conta e poder trabalhar, facto de que a empresa está ciente há muito, mas dizem que mesmo quem estava regularizado foi “desconectado” da plataforma de entrega de refeições numa onda de “desativações arbitrárias”.

Jérôme Pimot, dirigente do Clap75, Collectif des Livreurs Autonomes de Plateformes, explica nas suas redes sociais a realidade destes trabalhadores. Estima que as 2.500 contas que foram “desconectadas” são “uma gota no oceano a Uber”, sendo que os perfis de trabalhadores indocumentados a trabalhar para empresa chegarão aos 35.000. Diz que “há muito que a Uber Eats sabe que sem-papéis trabalham para eles e lucraram muito com eles durante o confinamento”.

Os sindicatos e os estafetas acusam as empresas de hipocrisia, fechando os olhos às inscrições dos trabalhadores indocumentados na sua plataforma quando aumenta a procura, como aconteceu durante a altura da pandemia, e expulsando-os agora que a procura está a descer.

O Clap75 revela ainda que alguns dos estafetas sujeitam-se ao mercado negro onde se vendem contas da Uber Eats por 2.000 euros. Um negócio em que muitos acabam burlados com a pessoa que vende a conta a mudar os dados de registo depois de receber o dinheiro para a vender a outros.

A iniciativa do despedimento tem também a assinatura do governo Macron que, em setembro, fez questão de reunir as principais empresas de distribuição de refeições em França, a Uber Eats, a Deliveroo, a Stuart e a Frichti para coordenarem a “luta contra a fraude”, ou seja “harmonizar as práticas de controlo entre plataformas”, isto é, apertar a malha.

Depois de terem perdido o seu trabalho, a 12 de setembro os estafetas saíram à rua em protesto uma primeira vez, gritando “Uber ladrões”, “justiça para os estafetas”, “não à exploração”, denunciando condições de trabalho muito difíceis e salários muito baixos.

Este sábado foi a segunda etapa da sua mobilização. Mil estafetas juntaram-se outra vez para fazer uma “volta a Paris” ao longo de 20 quilómetros com começo e fim na Praça da República. A motivação continua a ser a mesma: lutam pelo seu emprego e por documentos.

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