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Turquia prolonga estado de emergência até janeiro

O presidente turco continuará a governar por decreto. Esta terça-feira foram suspensos cerca de 13 mil polícias e dezenas de militares da Força Aérea foram presos. No ataque à imprensa curda, nem o canal infantil de tv escapou ao apagão de 20 emissoras.
Foto OCHA / Berk Özkan / Flickr
Foto OCHA / Berk Özkan / Flickr

Com a aprovação do prolongamento do estado de emergência na Turquia por mais 90 dias, Erdogan poderá continuar a governar por decreto e aprofundar a purga no aparelho de estado. O silenciamento dos meios de comunicação prosseguiu nos últimos dias, mas orientada contra a minoria curda.

A perseguição ao grupo que o governo de Ancara acusa de estar na origem da tentativa de golpe de estado na Turquia a 15 de julho continua com novos saneamentos. Desta vez foram 12.801 polícias, entre os quais 2.523 chefes, suspensos por suspeita de ligação a Fethullah Gulen, o líder religioso que vive nos Estados Unidos e continua a negar as acusações do presidente Erdogan de ter infiltrado o aparelho de estado turco para tomar o poder.

A purga levada a cabo durante o estado de emergência desde a tentativa de golpe já afetou cerca de 100 mil funcionários públicos e levou 32 mil pessoas à prisão. Para além dos saneamentos justificados com a perseguição aos seguidores de Gulen, o alvo do governo turco tem sido também as formas de expressão pública da minoria curda, nomeadamente os meios de comunicação. Milhares de professores foram também afastados das escolas sob acusação de ligação aos separatistas curdos.

Nos últimos dias, cerca de 20 canais de televisão e rádio viram as suas emissões suspensas, todos ligados à minoria curda e alauíta. Entre elas está a Zarok TV, o único canal infantil em língua curda – cujo ensino é proibido nas escolas públicas –, que se limitava a reproduzir conhecidas séries internacionais de desenhos animados, como os Estrunfes, Garfield ou SpongeBob, dobradas em curdo. Outro canal, a Govend TV, especializada em música popular curda, também desapareceu do ar.

“Isto nada tem a ver com o golpe. É uma tentativa de silenciar o que resta da imprensa independente que faz cobertura do tema curdo e das violações cometidas pelo estado”, declarou ao diário inglês Guardian Hamza Aktan, editor da IMC TV, uma das estações agora silenciadas e que transmitiu em direto o momento em que a polícia entrou para interromper a emissão.

A Turquia está a atacar um vasto leque de meios de expressão cultural e política ao fechar as emissoras de minorias. Quando o governo encara a programação infantil como uma ameaça, está claramente a abusar dos seus poderes concedidos pelo estado de emergência”, afirmou por seu lado Robert Mahoney, responsável da ONG Comité para a Proteção de Jornalistas.

 

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