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Turquia não abre as fronteiras a milhares de refugiados de Alepo

O governo turco instalou campos temporários com abrigos e alimentos para as populações que fogem da batalha de Alepo, mas recusou abrir a fronteira.
Em fuga de Alepo, milhares de sírios encontram a fronteira com a Turquia encerrada. Foto Flickr

O cerco das forças governamentais a Alepo pode vir a precipitar uma nova crise humanitária na Síria, com cerca de 400 mil habitantes em risco, encurralados dentro da cidade que era o principal centro comercial e financeiro do país antes do início da guerra.

Neste momento, há dezenas de milhares de pessoas em fuga, a pé, numa marcha até à fronteira turca onde estão concentrados mais de 70 mil refugiados.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, garantiu que os refugiados sírios “não ficariam sem abrigo ou alimentação”, mas fez silêncio quando questionado sobre a abertura da fronteira ou em relação ao processo de acolhimento no seu país.

A Turquia, onde já se encontram 2,5 milhões de refugiados sírios, não deu autorização de entrada as estes refugiados sírios que fogem do conflito que grassa em Alepo.

A Turquia, onde já se encontram 2,5 milhões de refugiados sírios, não deu autorização de entrada as estes refugiados sírios que fogem do conflito que grassa em Alepo.

Estes refugiados foram instalados de urgência em campos temporários junto dos principais postos fronteiriços pelo Governo de Ancara conjuntamente com várias organizações internacionais, um que ronda as 70 mil pessoas número que pode duplicar se o actual fluxo, que vê chegar cerca de 35 mil pessoas por dia, se mantiver constante. Mas a expetativa é que à medida que os combates se intensificam, o número de refugiados aumente de forma significativa.

O governador da provincial turca de Kilis, Suleyman Tapsiz, disse à Associated Press (AP) que o posto de Oncupinar permaneceria fechado pelo segundo dia consecutivo, mas garantiu que eram as autoridades turcas quem estavam a prestar ajuda aos 35 mil sírios concentrados no outro lado da fronteira, em Bab al-Salam.

“Foram instalados campos para abrigar estas pessoas, e de momento não vemos necessidade de elas entraram no nosso país”, afirmou Suleyman Tapsiz que disse ainda que a passagem seria aberta no caso de uma “crise extraordinária”, cujos contornos se escusou, no entanto, a descrever.

O assessor do secretário-geral das Nações Unidas disse que no campo provisório de Afrin entraram 10 mil refugiados na sexta-feira, e que mais cinco mil pessoas tinham chegado à localidade de Azaz, nos arredores de Alepo, “empurradas” pelo avanço das tropas do Governo. Farhan Haq lembrou o alerta da ONU relacionado com as dificuldades de transportes e comunicações resultantes da intensificação dos combates, que impedem as organizações internacionais de prestar assistência local e tornam ainda mais perigosos os fluxos de refugiados.

Com metade da população deslocada dentro do país ou no estrangeiro, a província de Alepo era, actualmente, a mais populosa da Síria. A nova ofensiva governamental gerou o pânico porque além do avanço do Exército, apoiado por combatentes do Hezbollah e outras milícias xiitas iranianas, a população foge dos ataques da aviação russa e da perspectiva de um cerco prolongado como o de Madaya, onde dezenas de crianças e idosos já morreram de fome.

O Exército sírio já conseguiu cortar as linhas de abastecimento a Alepo, parcialmente destruída depois de três anos de confrontos e meses de bombardeamentos.

A situação humanitária é catastrófica, disse uma porta-voz da oposição citado pela agência independente curda Ara News. E acrescentou que a população não tem comida nem energia e por isso o auxílio da comunidade internacional é urgente.

Além do apoio humanitário, os grupos que compõem o chamado Exército Livre da Síria, que combate o regime de Bashar al-Assad, reclamam apoio militar e logístico aos seus aliados, principalmente os Estados Unidos e a Arábia Saudita. “Sustentados nos bombardeamentos russos, os soldados do Governo conseguiram capturar a localidade de Ratyan, ao fim de dias de confronto com a Frente do Levante”, confirmou Saleh Zein, um dos porta-vozes dos rebeldes na região.

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