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Turquia exige duplicação de financiamento para travar migrantes

Na Cimeira entre a Turquia e a União Europeia, Ahmet Davutoglu pede mais dinheiro a Bruxelas e tenta negociar contrapartidas ao acolhimento de refugiados. Versão final do documento só será pública amanhã.
Foto de Mustafa Khayat/Flickr

No início da reunião entre os chefes de Estado da Turquia e dos 28 países da União Europeia (UE), o primeiro ministro turco surpreendeu o grupo com uma série de novas propostas, mas tentando negociar, em contrapartida, a entrada do país na UE e adiantando de outubro para junho o fim dos vistos de entrada na UE a cidadãos turcos.

Várias vozes oficiais já reagiram afirmando que os dois processos são independentes e que não podem ser confundidos, objetando-se a essas cedências. Muitos dos líderes que se opuseram às propostas de Ancara, afirma o Público, quiseram aproveitar a ida de Ahmet Davutoglu a Berlim para o questionar sobre o comportamento do governo em termos de desrespeito pelos direitos humanos, liberdade de expressão e de imprensa que vigora no país.

A UE afirma-se disponível para duplicar o financiamento à Turquia de 3 para 6 mil milhões de euros distribuídos ao longo dos próximos três anos se o país garantir que recebe os dois milhões de refugiados sírios e se comprometer a travar o fluxo de migrantes. Esta última garantia é, segundo o jornal Público, a premissa essencial para o novo acordo entre ambas as partes.

Segundo o diário britânico The Guardian, o líder turco propôs-se a transportar um refugiado sírio por cada refugiado sírio devolvido à Turquia vindo das ilhas gregas. O objetivo deste medida é, em teoria, proteger os refugiados dos contrabandistas. A mesma fonte refere que a Turquia está a abrigar três milhões de refugiados, que 363 mil refugiados sírios pediram asilo à Europa ao longo do último ano, e que por dia, estão a chegar dois ml refugiados às ilhas gregas, sobretudo provenientes da Síria, do Iraque e do Afeganistão.

O Público cita fontes diplomáticas anónimas que garantem que a UE irá aceitar o novo acordo, desde que a Turquia receba as pessoas que estão retidas nas ilhas e na fronteira da Grécia (refugiados e migrantes da Síria, Iraque, Afeganistão e Norte de África), cerca de 40 mil pessoas.

A discussão entre os líderes da UE sobre os refugiados, antes das propostas da Turquia entrarem em cena, eram sobre o encerramento da rota dos Balcãs, que conta com o apoio da Áustria e do bloco de Leste, mas com a oposição da Alemanha, garante o Público. Segundo o The Guardian, Angela Merkel opõe-se ao anúncio de encerramento da rota pois, segundo as leis europeias, os refugiados sírios e iraquianos têm direito a proteção e asilo.

Atualmente, a larga maioria de refugiados e de migrantes na Grécia já se encontram impedidos de a usar a a rota dos Balcãs e muitas das pessoas estão presas no país, onde as condições de recepção já estão muito más. Por exemplo, no campo de refugiados e migrantes de Idomeni, perto da fronteira com a Macedónia, vivem treze mil pessoas e há relatos de falta de comida e de água potável, descreve o The Guardian.

Por último, David Cameron garantiu no Twitter que o Reino Unido não irá colaborar em nenhuma agência europeia para a distribuição de refugiados.

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