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Turquia: Erdogan quer exército sob seu controle direto

O presidente da Turquia anunciou propostas de revisão constitucional, para colocar sob o seu controle direto os serviços secretos e as forças armadas. A repressão prossegue com mais expulsões do exército e a acusação a 17 jornalistas de “envolvimento com o grupo terrorista”.
Nazli Ilicak, ex-deputada e conhecida colunista turca, foi presa na passada semana, juntamente com outros 88 jornalisas, dos quais 40 continuam presos e 17 foram acusados de “envolvimento com o grupo terrorista”
Nazli Ilicak, ex-deputada e conhecida colunista turca, foi presa na passada semana, juntamente com outros 88 jornalisas, dos quais 40 continuam presos e 17 foram acusados de “envolvimento com o grupo terrorista”

Na noite deste sábado, 30 de julho, o canal A Haber anunciou que Erdogan apresentará no parlamento uma proposta de revisão constitucional para o responsável máximo da Organização Nacional de Informação (serviços secretos) e as Forças Armadas fiquem sob seu controle direto. A alteração inclui também o encerramento de todas as academias militares e a sua transformação numa Universidade Nacional de Defesa.

O site eldiario.es, assinala que este anúncio se dá num momento em que Erdogan realiza uma nova “purga” nas Forças Armadas, expulsando 1.389 pessoas. Erdogan terá declarado também, na referida entrevista televisiva, que Fethullah Güllen é “só um peão” e que há um “cérebro” responsável pela intentona falhada de 15 de julho.

17 jornalistas acusados de “envolvimento com o grupo terrorista”

Os 17 jornalistas são parte de um conjunto de 89 jornalistas detidos na passada semana, dos quais 40 continuam presos. Em audiência num tribunal de Istambul, realizada neste sábado 30 de julho, 21 jornalistas foram acusados pela procuradoria. O tribunal manteve a acusação de “envolvimento com grupo terrorista” aos 17 jornalistas, que permanecem presos, e libertou os outros quatro.

Fotis Filippou da Amnistia Internacional afirma: “As autoridades estão determinadas a silenciar críticas sem qualquer consideração para com as leis internacionais”

Além da prisão dos jornalistas, nesta semana foram encerrados 131 grupos de comunicação, entre agências de notícias, emissoras de televisão e rádio, jornais, revistas e editoras.

Erdogan e o seu governo acusam jornalistas e meios de comunicação de terem tomado parte na tentativa de golpe militar e de terem ligações a Fethullah Gülen, acusado, assim como o seu movimento Hizmet, de terrorismo pelo presidente.

Entre os jornalistas detidos nesta semana, está Nazli Ilicak, ex-deputada e conhecida colunista turca, que foi despedida do jornal pró-governamentalSabah em 2013 por criticar o governo e defender uma investigação anticorrupção.

Os ataques de Erdogan e do governo a jornalistas e meios de comunicação turcos vêm-se multiplicando de há muito. Em março deste ano, a polícia invadiu a sede do jornal Zaman. O jornal era crítico do governo, mas após a invasão passou a defendê-lo.

Em maio passado, os jornalistas turcos Can Dündar e Erdem Gül, do jornal Cumhuriyet, foram condenados a cinco anos de prisão, acusados de revelarem “segredos de Estado. Os dois jornalistas tinham denunciado a entrega de armas ao Daesh, pelos serviços secretos turcos.

Fotis Filippou, vice-diretor para a Europa da Amnistia Internacional, afirmou que este é “o mais recente ataque a uma comuniação social já enfraquecida por anos de repressão governamental”. “As autoridades estão determinadas a silenciar críticas sem qualquer consideração para com as leis internacionais”, realçou Filippou.

O jornalista turco Mahir Zeynalov, ex-correspondente da versão em inglês do jornal Zaman baseado em Washington, postou no Twitter fotos dos jornalistas presos a caminho da audiência em Istambul.

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