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Tunísia: 10 anos depois, regressam em força os protestos contra o Governo

Apesar da pandemia, centenas de marchas pela capital tunisina relembram a “Primavera Árabe” de há uma década. Manifestantes criticam a desigualdade social e a brutalidade das autoridades policiais.
Tunísia volta à rua 10 anos depois das "Primaveras Árabes"
Foto de International Workers' Unity - UK | Facebook

No sábado passado, 23 de janeiro, milhares de pessoas marcharam pela capital da Tunísia, Túnis, contra a desigualdade social e a força excessiva da polícia, enquanto as autoridades tentavam bloquear a principal avenida da cidade, segundo a agência Reuters.

Estas concentrações têm lembrado os protestos da “Primavera Árabe”, já que os manifestantes gritam “o povo quer a queda do regime”, tal como há uma década. Os protestos e manifestações duram há mais de uma semana, confrontando durante a noite jovens e polícia das várias cidades do país.

As manifestações populares de há dez anos tiveram como objetivo derrubar o regime autocrático e instituir a democracia na Tunísia, mas os novos protestos representam a maior agitação política dos últimos anos, inclusive com a polícia a prender centenas de pessoas.

Mahmoud, um jovem trabalhador de um café, avisa que “não podemos aceitar um estado policial na Tunísia 10 anos após a revolução, é vergonhoso.” A ação tem-se desenvolvido em dois âmbitos: à noite há confrontos de jovens de bairros desfavorecidos com a polícia, durante o dia há manifestações a exigir mais emprego. 

A pandemia da covid-19 agravou a situação já vivida na Tunísia, onde muitos jovens procuram a emigração para Europa como a única forma de ter condições de vida.

As autoridades tunisinas bloquearam a avenida Habib Bourguiba, um ponto simbólico das manifestações de 2011, com a justificação de proibir as concentrações para diminuir o risco de contágio, mas as marchas conseguiram chegar a uma das avenidas mais importantes da cidade.

A Tunísia tinha sido o único caso de sucesso das “Primaveras Árabes” de 2011, mas o país voltou de novo às ruas. Alguns analistas, citados pelo jornal Público, acreditam que existiu uma segunda vaga das “Primaveras Árabes”, em 2019, na Argélia, Sudão, Líbano e Iraque, mas foram bloqueadas pela pandemia da covid-19.

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