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Trump pressionou presidente ucraniano e pode enfrentar processo de destituição

O que devia ser um telefonema de rotina de Donald Trump para felicitar Volodymyr Zelensky pela vitória eleitoral transformou-se numa pressão para o ucraniano investigar um dos principais adversários de Trump na corrida à Casa Branca.
Donald Trump
Donald Trump falou com jornalistas após desembarcar esta quinta-feira na Base militar Andrews, no estado do Maryland. Foto Shealah Craighead/Casa Branca

O novo escândalo político que está a marcar a atualidade norte-americana resultou na abertura de uma investigação que pode desencadear um processo de destituição do presidente. Se a investigação de Robert Mueller sobre a interferência russa nas últimas presidenciais não convenceu os congressistas a avançar para o impeachment, as denúncias sobre o telefonema de julho passado de Trump a Volodymyr Zelensky não deixaram grande margem de manobra aos democratas, embora o sucesso da destituição esteja comprometido pela maioria republicana no Senado.

Tudo começou num telefonema de rotina de Donald Trump ao homólogo ucraniano, para o felicitar pela vitória nas presidenciais. Trump foi além do que estava previsto e resolveu pedir “um favor” a Zelensky, para que este mandasse investigar os negócios de Joe Biden - um dos principais candidatos nas primárias democratas às presidenciais de 2020 - e do seu filho Hunter Biden no país. Hunter pertence ao Conselho de Administração de uma empresa de energia ucraniana e o pai, ex-vice-presidente de Obama, também exerce influência na política do país que vive há anos um conflito com o vizinho russo.

Sabe-se agora que mal a chamada terminou, os serviços da Casa Branca, apercebendo-se da gravidade do que acontecera, começaram a tomar medidas para que a transcrição da chamada não fosse arquivada no sistema informático habitual, mas em servidores com acesso muito restrito mesmo aos membros do Conselho Nacional de Segurança com credenciais de segurança elevadas. Isto significa que além da investigação à conduta do presidente, também existirá outra investigação sobre a tentativa de encobrimento do potencial crime de aproveitamento do cargo presidencial para benefício político pessoal.

Segundo o New York Times, a denúncia partiu de um agente da CIA em serviço na Casa Branca, sendo feita através dos canais oficiais desta agência de segurança, mantendo o anonimato. O denunciante assume não ter testemunhado diretamente a maior parte dos factos, mas apoiar-se em informação recolhida junto de mais de meia dúzia de altos funcionários.

Diz o mesmo New York Times que a responsável na CIA por receber a queixa informou quer a Casa Branca quer o Departamento de Justiça do seu conteúdo. O denunciante resolveu então, em meados de agosto, apresentar a sua queixa do inspetor geral dos serviços de segurança e aos líderes dos Comités de Informações no Senado e na Câmara dos Representantes.

Enquanto isso, nos dias seguintes ao telefonema, a Casa Branca continuou a bloquear um pacote de ajuda militar no valor de 250 milhões de dólares, com a imprensa a especular que esse congelamento estaria a servir como elemento adicional de pressão para que a justiça ucraniana investigasse o candidato democrata e o seu filho. No centro dessa pressão esteve Rudolph Giuliani, o antigo mayor de Nova Iorque e atual advogado de Trump, que manteve contactos com o círculo próximo de Zelensky para acelerar essas investigações. Para além dos negócios da família Biden, Trump está convencido que as autoridades ucranianas ajudaram Hillary Clinton a tentar sabotar a campanha de Trump em 2016.

Bernie Sanders: “Trump é provavelmente o presidente mais corrupto na história moderna deste país”

Respondendo às suspeitas que vêm ensombrar ainda mais o seu mandato na Casa Branca, Donald Trump afirma que se trata de uma “nova caça às bruxas” promovida pelos Democratas e que está votada ao fracasso. Assumindo um tom de campanha eleitoral, Trump acusa os adversários de já saberem que vão perder as próximas eleições, pelo que utilizam todos os meios para o tentarem afastar da Presidência por outros meios.

Do lado democrata, o candidato presidencial Bernie Sanders não perdeu a oportunidade de classificar Trump como “provavelmente o presidente mais corrupto na história moderna deste país”. Falando no programa do comediante Stephen Colbert esta quinta-feira à noite, Sanders criticou Trump por “não saber a diferença entre mentir e dizer a verdade” ou de sequer imaginar do que se trata a Constituição dos EUA.

“Acho que esta história sobre a Ucrânia, em que são usadas verbas da segurança nacional que servem para proteger os cidadãos norte-americanos e depois usá-las como instrumento para tentar arranjar podres de um adversário político e a seguir ainda tentar encobrir isso, são um escândalo em cima de outro escândalo”, resumiu Bernie Sanders.

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