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Trump nomeia diretor de lobbies privados para diretor de espionagem dos EUA

Dan Coats, Senador do Indiana e ex-embaixador na Alemanha, foi também diretor da King & Spaulding responsável por lobbying em Washington, apesar de ser membro do Tea Party.
Senador Dan Coats na Trump Tower
Senador Dan Coats na Trump Tower, por Albin Lohr-Jones, POOL/Lusa

Donald Trump escolheu o Senador Dan Coats para o cargo de director nacional de informação, cargo criado em 2004 para dirigir todas as organizações de espionagem dos EUA. 

Dan Coats foi considerado como possível Secretário da Defesa de George W. Bush em 2001, cargo que seria entregue a Donald Rumsfeld. Em alternativa, Dan Coats foi nomeado embaixador dos EUA na Alemanha entre 2001 e 2005. 
 
Foi Dan Coats que publicamente ameaçou o governo alemão de “retaliações” diplomáticas caso a Alemanha não apoiasse a invasão do Iraque, o que veio a suceder. Dedicou-se então a criar uma relação de proximidade com a oposição ao governo então do SPD de Schroeder, em particular com Angela Merkel e a CDU. 
 
 
Na campanha presidencial dos EUA, Trump acusou a Alemanha de uma política de refugiado “desastrosa” e “criminosa”. A reação de Angela Merkel à vitória de Trump nas presidenciais dos EUA, que foi lida como uma “lição” sobre valores liberais e democráticos, pode ser vista como uma reação diplomática significativa que a nomeações de Dan Coats para a administração Trump pode aliviar. 
 

Os interesses privados na Casa Branca

Mas além de Senador, Dan Coats foi também um diretor da King & Spaulding, uma firma de lobbying que protege interesses privados em Washington. Segundo uma peça do New York Times em 2010, trabalhou em particular para bloquear a extinção de um buraco legal que permitiu que centenas de milhões de dólares não fossem cobrados pelo fisco à empresa Cooper Industries. 
 
Com um salário de mais de 600 mil dólares, a lista de 36 clientes de Coats era uma das maiores dentro da comunidade de  Washington, desde a General electric à Google, e permitiu-lhe acumular cerca de 8 milhões de dólares em comissões. Nada disto o impediu de fazer parte do Tea Party, movimento aliado ao Partido Republicano que alega ser contra os interesses e a favor da transparência.
 
Quando concorreu para o cargo de Senador do Indiana em 2010, assumiu o cargo de presidente da Comissão de Finanças do Senado dos EUA. O claro conflito de interesses não impediu Coats de votar consistentemente a favor dos interesses que defendeu como diretor da King & Spaulding. 
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