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Trump disposto a negociar com Irão mas ameaça com destruição "nunca antes vista"

Donald Trump confirmou este fim de semana que cancelou à última hora um ataque norte-americano contra o Irão como retaliação pelo abate de um drone. Diz-se agora disposto a negociar com a republica islâmica, mas mantém uma linguagem agressiva.
Donald Trump e John Bolton numa visita ao Iraque em Dezembro de 2018. Foto: The White House/Flickr/Wikimedia Commons.
Donald Trump e John Bolton numa visita ao Iraque em Dezembro de 2018. Foto: The White House/Flickr/Wikimedia Commons.

A tensão entre os Estados Unidos e o Irão, desencadeada por uma série de acusações americanas nas últimas semanas, continua a alimentar um situação incerta e perigosa que pode escalar para um confronto armado, apesar de ambos os lados dizerem que o querem evitar. Este fim de semana, após o abate de um drone norte-americano pelo Irão e notícias de um ataque americano de retaliação que terá sido cancelado por Donald Trump à última hora, Trump declarou em entrevista à NBC News que não pretende uma guerra e disse preferir negociar. Mas continuou a usar uma linguagem agressiva que não tranquiliza quem, desde movimentos anti-guerra até à maior parte dos governos mundiais, teme que a situação fuja ao controlo dos dois lados.

As relações entre os dois países vêm-se degradando desde que Donald Trump rasgou em 2018 o acordo internacional nuclear assinado em 2015 com o Irão, pelos EUA e os outros membros do conselho de segurança da ONU, e restaurou sanções económicas de efeito pesado para a economia iraniana. Os EUA passaram a ameaçar os países que importem petróleo iraniano com sanções económicas, o que levou as exportações de petróleo do Irão a cair para menos de um quinto do seu nível, de 2,5 milhões de barris por dia em abril do ano passado para 400 mil em maio deste ano.

Estas tensões agravaram-se há duas semanas com as acusações americanas de que o Irão terá atacado os petroleiros Front Altair (da Noruega) e Kokuka Courageous (do Japão). O Irão nega veementemente a acusação, e a maioria dos governos ocidentais têm sido muito reservados, quando não abertamente céticos, com as alegadas provas de envolvimento iraniano apresentadas pela administração Trump. Entretanto o Irão abateu na semana um drone norte-americano que afirmou ter sobrevoado o seu espaço aéreo — os EUA negam e afirmam que foi abatido em espaço aéreo internacional. Por sua vez, os EUA prepararam um ataque aéreo ao Irão que foi cancelado à última hora, já com navios a postos e aviões no ar.

Este domingo, em entrevista à NBC News, Donald Trump confirmou que abortou o ataque americano no último momento, alegando querer evitar o número de mortos que os generais estimaram a seu pedido para o ataque: "Não quero matar 150 iranianos. Não quero matar 150 pessoas de sítio nenhum, a não ser que seja absolutamente necessário”. Afirmou-se convicto de que as autoridades iranianas "querem negociar e chegar a um acordo" e de que pela sua parte, "não há condições prévias", a não ser que o Irão tem de abandonar o seu programa nuclear. Mas por outro lado, manteve uma linguagem agressiva, advertindo a republica islâmica de que "se houvesse uma guerra, causaria uma destruição nunca antes vista".

A volatilidade de Trump constitui um risco, pois apesar deste afirmar ser contra um conflito, e ter uma costela isolacionista adversa a intervenções no médio oriente que já se manifestou no passado, a ação da sua administração joga-se no confronto de fações internas que procuram influenciá-lo, incluindo uma fação fortemente belicista representada por John Bolton. Na entrevista à NBC, o próprio Trump referiu-se a Bolton como "absolutamente um falcão: se dependesse dele, atirava-se ao mundo inteiro de uma só vez".

Entretanto, o Irão fez saber por declarações do comandante das suas forças navais, o almirante Hossein Khanzadi, que tem capacidade militar para abater mais drones norte-americanos que detete no seu espaço aéreo.

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