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Trump concede mais indultos a aliados

Depois de ter perdoado assassinos da Blackwater, aliados políticos e condenados na investigação à interferência russa nas eleições de 2016, o presidente norte-americano avança com uma nova lista. Dela faz parte o pai do seu genro, condenado por fraude fiscal e outros crimes.
O ex-diretor de campanha de Trump, Paul Manafort, com o seu advogado durante as audições de maio de 2018. Foto de Victoria Pickering/Flickr.
O ex-diretor de campanha de Trump, Paul Manafort, com o seu advogado durante as audições de maio de 2018. Foto de Victoria Pickering/Flickr.

A primeira lista tinha vinte nomes. A segunda 29. Esta segunda leva de indultos concedidos pelo presidente norte-americano em fim de mandato partilha com a primeira o facto de incluir várias figuras próximas de Trump.

Donald Trump perdoa Charles Kushner, pai do marido de Ivanka Trump, a sua filha. Este declarou-se culpado em 2004 de 16 crimes de sonegação de impostos, um de retaliação contra uma testemunha e outra por mentir à Comissão Eleitoral Federal.

Também dois aliados muito próximos, condenados no âmbito da investigação à interferência russa nas eleições de 2016, foram incluídos na lista. Paul Manafort, que foi diretor dessa campanha eleitoral, foi condenado por conspiração contra o país, lóbi ilegal, declarações falsas, fraude fiscal, fraude bancária e lavagem de dinheiro. Roger Stone, amigo de Trump e seu conselheiro, foi condenado por mentir durante a mesma investigação e por obstrução à justiça. Anteriormente, o presidente já lhes tinha comutado a pena.

Mas nem todos os condenados no caso foram perdoados. O assistente de Manafort, Rick Gates, sentenciado a 45 dias na prisão não foi incluído na lista. Gates cooperou com a investigação. E também ex-aliados como o advogado Michael Cohen ficaram de fora. Este declarou-se culpado de crimes financeiros ao tentar comprar o silêncio de Stormy Daniels, a estrela de filmes pornográficos que dizia ter tido relações sexuais com o presidente e que também foi condenado na investigação Mueller. Mais tarde escreveu um livro em que fazia várias revelações sobre Trump.

Nem todos os indultados são próximos do atual presidente. Da lista fazem parte também outras pessoas cujo perdão tem sido pedido por pressão de vários apoiantes de Trump como a ex-procurada da Florida Pam Bodi, o Senador do Kentucky Rand Paul e o gestor da Newsmax Christopher Ruddy.

Para além de elementos condenados na investigação de Mueller e de três ex-congressistas do Partido Republicano, condenados por desvio de fundos, fraude e branqueamento de capitais, a lista anterior tinha sido alvo de críticas internacionais por incluir quatro mercenários contratados pela empresa de segurança Blackwater e que tinham sido condenados pela morte de 14 civis quando disparam contra pessoas desarmadas na Praça Nisour em 2007. Até o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos emitiu um comunicado no qual se podia ler que “perdoá-los alimenta a impunidade e tem o efeito de encorajar outros a cometer o mesmo tipo de crimes no futuro”.

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